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Francisco Manuel Carvalho Duarte

by on 3 de Novembro de 2013
 

Francisco Manuel Carvalho DuarteSente que a sociedade “o tem vindo a desiludir”

AUTARCA, sindicalista e interessado pela cultura, o nosso Ilustre hoje “sente – se um pouco à parte da, sociedade, que o tem vindo a desiludir”.

Depois de ter desenvolvido actividades bastante diversas durante toda a sua vida, actualmente os seus dias são preenchidos de uma forma bastante calma, a: ler, jogar dominó, pescar e a ver televisão.

Durante os anos em que foi autarca, debateu-se por alguns sonhos, uns concretizou, mas outros ficaram por isso mesmo, como o Mini-Zoo, no Parque Mártires do Colonialismo, o salão de chá, circuito de manutenção, para a cidade miniatura, para que as crianças conhecessem os sinais de trânsito.

Francisco Manuel Carvalho Duarte, nasceu nas Cruzes, a 26 de Junho de 1937.

O pai, era oficial vidreiro, a mãe, doméstica e tinha duas irmãs mais velhas.

Depois da 4ª classe, tirou no regime nocturno, o Curso Industrial de Vidraria, na Escola Comercial e Industrial da M` Grande.

Aos 10 anos, começou a trabalhar numa taberna, mudando-se depois para o vidro, a levar acima e a caldear, na Marquês e “isso é que gostava de fazer”.

Aos 14, mudou-se para os moldes, entrou para a Aníbal H. Abrantes, onde esteve 10 anos, passando a seguir para a Emídio Maria da Silva, onde se manteve mais 10 anos e finalmente passou para a Moldes Matos, onde se manteve 18 anos, até se reformar.

Desde 1960, até 1999, esteve ligado à colectividade da Ordem, onde pertenceu à direcção, participou no grupo de teatro, promoveu espectáculos de variedades, fados e desfiles, sempre com muita criatividade e imaginação.

No teatro, começou como “ponto”, acabando por representar várias peças e criando uma intitulada, “Bate Bate Coração”, que percorreu as colectividades do concelho, obtendo grande êxito.

0 “Musicordem”, foi uma aposta sua, que movimentou muitas pessoas, durante dois anos, onde entrevistou, quase todas as figuras públicas da Mª Grande.

0 concurso de fado, o 1º Ralli Paper Nocturno, com chegada a um baile, assim como o baile das chitas, foram outras das actividades que promoveu enquanto dirigente da Ordem.

Na Câmara, foi vereador e vice – presidente, com Barros Duarte e Emílio Rato, foi ainda presidente da Junta de Freguesia da M.ª Grande, não atingiu a reforma de autarca, porque esteve em funções 6 anos e no ano seguinte é que saiu a lei da reforma aos 7 anos de exercício.

Não compreende como é que as freguesias continuam a ser o parente pobre das autarquias, sendo que ali, existe o contacto directo com a população e os seus problemas.

Agora, sente alguma revolta por estarem a ser resolvidos problemas, que já podiam estar tratados durante o seu executivo e que foram atrasados por parte da Câmara, “se tudo corre de vento em popa por haver coincidência política é muito mau”, considera.

Defende uma união entre as colectividades de forma a trabalharem em conjunto, de para atrair os jovens à vida associativa.

A tentativa falhada, de recuperar a Banda da Amieirinha, foi o incentivo para a criação da Orquestra Juvenil da M.ª Grande, ideia que ao ser apresentada ao executivo camarário, foi de imediato apoiada.

Receoso com o futuro da Orquestra, Francisco Duarte, sente que “vai ser necessário criar incentivos para manter a ligação dos jovens ao projecto”, jovens que estão a atingir idades difíceis e podem tomar outras opções.

Uma orquestra, “com alguma profissionalização, aproveitando alguns dos actuais elementos”, é do seu ponto de vista uma solução para o futuro, que de qualquer forma necessita de análise.

Sempre que vê a Orquestra actuar, sente “um contentamento interior inexplicável”.

Tinha a “secreta esperança” de construir um trilho na mata, para proporcionar a. observação das belezas existentes, criando locais de paragem, do Comboio de Lata, “num percurso pequeno por ser bastante dispendioso”.

Depois de todo o trabalho de recuperação está embrulhado, o que “faz pena”, mas tem esperança de o ver colocado no Museu da Floresta.

A.C.

in: JORNAL DA MARINHA GRANDE
(edição de 06 de Julho de 2000)

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