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Cepeiro

by on 26 de Outubro de 2013
 

Trabalhava na Mata a arrancar cepos. Era um trabalho exaustivo: com a ajuda da enxada, descascava os enormes cepos, com o serrote de cabo, cortava as raízes em redor e finalmente com o machado, e à força de tanta corunhada, tentava desprendê-los.

Outras vezes os cepos eram tão grandes, que exigiam a força de vários homens. Então, em tronco nu, sob o sol escaldante, com os rostos cansados e o suor em bica, todos faziam força, ora para um lado, ora para outro. E quando o conseguiam desprender era um alívio. Uf! Que grande estopada! ‘- Diziam.

Seguia-se a rachadura, à machadada, utilizando para isso uma cunha de ferro bem afiada. Depois, rasgavam-se os cepos em cavacas de metro que se empilhavam. Sobre algumas pilhas, atravessava-se uma cavaca, sinal de que o corte ainda não estava aberto às populações.

– Com que amargura eu recordo aquela procissão! Tantas vezes a presenciei quando ía levar a “bucha” ao meu pai que, como tantos outros vidreiros em situações de crise, também foi para a Mata arrancar cepos.

Por vezes, e para que se despachasse mais depressa, ajudava-o a empilhar as cavacas em steres. No fim da semana os Guardas faziam-lhe a féria, consoante os metros de cavacas ali empilhadas.

in: AO ENCONTRO COM O PASSADO
Autora: Deolinda Bonita
Edição da Autora
Data da Edição: 1993

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