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Lúcio Tomé Feteira

by on 11 de Dezembro de 2013
 

ltomefeteira_00Lúcio Tomé Feteira

(Vieira de Leiria, 1902 — Lisboa, 2000)

Filho de Joaquim Tomé Feteira e Inácia da Piedade Sequeira, natural de Vieira de Leiria, teve um primeiro emprego como aprendiz de pilotagem de navios do Estado, até retomar os estudos. Em 1924, a poucas cadeiras de terminar o curso do Instituto Comercial do Porto, partiu para Angola. Foi funcionário superior das Finanças, em Luanda, tendo colaborado com Norton de Matos. Dois anos depois seguiu para o Congo Belga, onde foi gestor de empresas privadas.

Regressou a Portugal em 1931, com uma condecoração do rei Alberto I. Entre 1931 e 1941 assumiu uma quota na União Tomé Feteira, a fábrica de limas do pai, criada em 1856 e que chegou a empregar 1200 trabalhadores. Entre 1934 e 1939 foi presidente da Junta de Freguesia de Vieira de Leiria. Casou-se com Adelaide Guerra dos Santos, filha do industrial de vidros Dâmaso Luís dos Santos (1858-1925). Com a ajuda do sogro fundou a Covina, empresa onde juntaria todos os industriais portugueses do sector. Foi em 1941 que Lúcio visitou o Brasil pela primeira vez. Mais tarde, introduziu no país o negócio do fabrico mecânico de vidro plano, com a Covibra, e construiu duas fábricas, uma em Niterói, outra em São Paulo. As fábricas multiplicar-se-iam, não só no Brasil, como na Argentina, no Uruguai e na Venezuela, permitindo-lhe investir noutros ramos, sobretudo em empreendimentos turísticos e imobiliários, mas também na indústria do cimento, na agricultura e pecuária.

Próximo dos círculos financeiros, esteve entre os fundadores do Banco Comercial de Angola. Em Maricá, no Brasil, adquiriu uma propriedade onde tentou a construção de uma cidade de raiz, a que daria o nome de Olímpia, nome da sua irmã mais nova, que morreu jovem. Teve um papel crucial na construção do primeiro autódromo em Portugal, situado no Estoril. Foi cônsul do Paraguai em Lisboa.

Lúcio refugiou-se no Brasil, sempre que o poder, em Portugal, se interferia nos seus negócios, com políticas de condicionamento industrial. Influente, conheceu Calouste Gulbenkian, Valéry Giscard d’Estaing, Margaret Thatcher e David Rockefeller, deu emprego a Mário Soares no exílio, protegeu Humberto Delgado e Chaim Weizmann, e deu abrigo a Juscelino Kubitschek. Ainda em 1947 financiou um movimento revolucionário contra a ditadura, que custaria a prisão a João Lopes Soares e Mendes Cabeçadas. Em Vieira de Leiria financiou escolas, a biblioteca, os bombeiros, a igreja e construiu um jardim-de-infância. Depois do 25 de Abril, viria a incompatibilizar-se com as gentes da terra, pela forma como trataram a sua família, que foi sequestrada dentro da fábrica. Não impediu também a estatização da Covina, hoje detida pela multinacional francesa Saint-Gobain Glass. Em 1987 recusou o convite de Mário Soares, para integrar o conselho das Ordens Honoríficas de Portugal. Depois da sua morte, a sua herança causaria enorme polémica, com o assassinato da secretária do milionário, Rosalina Ribeiro, a filha única, Olímpia Feteira de Meneses, e a Junta de Vieira de Leiria, incumbida, em testamento, de criar uma fundação.

 

Fonte: wikipedia

 

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