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Gonçalo Lemos

by on 20 de Outubro de 2014
 
A magia da noite

Fotografia da natureza: a magia da noite em imagem

Veja aqui a Galeria com alguns trabalhos de Gonçalo Lemos.

Fotografia da natureza: a magia da noite em imagem Publicado em 13/8/2012 por Renata Silva.

Aos 44 anos, Gonçalo Lemos já fotografou ginetas, relâmpagos, pirilampos, ceús estrelados, entre muitos outros elementos da natureza. Tudo o que é possível ver à noite e até fotografar, mas não sem muito trabalho e paciência. Designer de formação, dedica grande parte do seu tempo a registar o que mais gosta: a noite. É possível ver os seus trabalhos publicados em vários sites e em livros sobre a fotografia noturna e astrofotografia.

Como e quando surgiu a sua paixão pela fotografia da natureza? Comecei por gostar de fotografia devido a uma forte paixão pelo mundo natural. Desde muito novo que vivo rodeado por animais domésticos e selvagens e sempre fui educado para os respeitar. Foi a curiosidade que me levou a querer registar os momentos únicos que me proporcionavam para mais tarde os relembrar. Mas, na fotografia, o que mais me seduz é a fotografia noturna, pela sua dificuldade e originalidade e também porque me interesso bastante pela astronomia e pela natureza.

Tem várias fotografias captadas à noite. O que mais o fascina na natureza durante a noite? Estas fotos são mais ou menos difíceis de captar? O que me fascina é a magia da noite. É para muitos um mundo oculto e desconhecido. A noite possui imensas possibilidades fotográficas com os seus céus estrelados, a luz da Lua, as suas criaturas misteriosas e vistas por muito poucos. Uma chuva de estrelas, uma trovoada, um caracol que sai para comer ou uma gineta que passa por uma árvore é algo difícil de ver de dia, mas quando acontece de noite, a sensação é fantástica. As fotos noturnas requerem outras técnicas não só de captação, mas também de processamento. A longa exposição domina a maior parte das fotos porque a luz durante a noite é quase ausente. Não as considero mais ou menos difíceis do que as fotos tiradas durante o dia. Exigem apenas uma abordagem diferente.

O que é necessário para se tirar uma boa fotografia noturna? Em primeiro lugar, paciência. Tal como durante o dia passamos horas dentro de um esconderijo para fotografar um animal, durante a noite podemos esperar várias horas para que a luz entre no sensor. É igualmente necessário um estudo prévio do terreno não só para conhecer o que vamos fotografar, mas também para acautelar possíveis situações que afetem a nossa segurança. De resto, para que se faça uma boa fotografia é melhor fazer o trabalho de casa e saber o que se quer.

Qual foi o elemento da natureza mais desafiante de fotografar? Não considero nenhum em especial mais desafiante. Todos os assuntos à noite o são. Apenas apresentam diferentes graus de dificuldade técnica. Pelo perigo constante e pela emoção associada talvez a fotografia de relâmpagos seja uma das mais difíceis.

O que lhe dá mais prazer fotografar? Sem dúvida que são os rastos de estrelas. Gosto de ver e mostrar o resultado de várias horas de exposição. O resultado é sempre uma imagem invulgar. Sinto-me muito à vontade em ambiente noturno e habituei-me a visualizar facilmente os resultados finais antes de fazer as fotos.

Costuma estudar o que vai captar antes de ir para o terreno? Que tipo de preparação faz? Noventa e oito por cento das fotos que faço são pensadas previamente. Algumas são pensadas com vários meses de antecedência em vez de dias. Faço sempre uma análise prévia das condições atmosféricas, da localização do Sol ou da Lua, dos quilómetros a percorrer, de quanto tempo vou necessitar, etc.

Quais são os grandes desafios de um fotógrafo de natureza? Que características tem de ter? A criatividade é o maior desafio que um fotógrafo de natureza enfrenta. Com a proliferação do digital, hoje em dia qualquer pessoa com uma máquina digital é um potencial fotógrafo de natureza. O fotógrafo de natureza tem de ser original e atual naquilo que fotografa. É fundamental conhecer o mundo natural, conhecer o mercado, conhecer o trabalho dos outros fotógrafos. Acima de tudo tem de ser um apaixonado e ser paciente sabendo que a espera compensa.

Quais são as principais dificuldades que enfrenta quando vai para o terreno? Existem principamente duas: as condições climatéricas e as pessoas, apesar da primeira ser mais previsível. Já tive desde gente a espantar os bichos por quererem ver o que se estava a passar, piqueniques em frente ao esconderijo, a GNR a querer saber o que se passa e a apontar as lanternas para a máquina durante a noite entre muitas outras coisas. De resto, rastejar na lama, fazer quilómetros em areia a pé, esperar horas por um animal até torna o resto do dia agradável!

Qual é, na sua opinião, a importância da fotografia de natureza no panorama geral da ciência? A fotografia de natureza possui hoje em dia um papel fulcral na divulgação científica, na divulgação e conservação das várias espécies e na sensibilização ambiental. Uma imagem forte pode fazer muito por uma espécie animal ou vegetal. A relação biólogo/cientista/fotógrafo é que tem de ser cada vez mais estreita.

Tem um projeto chamado “Gigantes da Floresta”. Pode falar-nos um pouco mais sobre ele? O projeto dos "Gigantes da Floresta" é o reflexo da minha paixão por árvores. Sempre as admirei. Vivo num concelho que possui o maior número de árvores monumentais em ambiente natural. Fico triste quando vejo que algumas árvores no nosso país são violentadas e cortadas sem que alguém faça alguma coisa. Este projeto tem por objetivo dar a conhecer grande parte dessas árvores que se encontram em ambiente natural, ao público. É preciso conhecer para preservar. O “Gigantes da Floresta” abrange todo o território nacional, incluindo as regiões autónomas da Madeira e Açores. Em Portugal continental, o registo fotográfico está a 80 por cento. Devido a fatores económicos, logísticos, e por dependência das estações do ano, será um projeto que vai demorar mais de um ano e meio a estar concluído. Alguns dos locais serão visitados mais do que uma vez. Brevemente daremos início à visualização de algumas exposições de interior e exterior em várias cidades e espero reunir os apoios necessários para a execução de um livro com todas as imagens captadas.

Quais são as zonas do país que considera mais fascinantes de fotografar? Num país fantástico como o nosso torna-se difícil eleger uma zona em particular, mas realço a costa alentejana, o Alentejo, os vários parques naturais que possuímos, o Parque Nacional Peneda-Gerês e as ilhas.

Quais são os seus projetos para o futuro? Quero fazer algo sobre a fauna e flora do meu concelho e publicar um livro sobre isso.

Photography and Nature have always been a passion. I currently live in Portugal, in a city surrounded by a huge pine forest and close to the sea. This type of environment carved my taste for nature as I usually travel to it and spend hour after hour looking and searching for its beauty. I started to photograph many years ago and immediately started to picture nature and its inhabitants. Landscapes were always a passion and I love to find animals and know their behavior. But I do not only shoot near my hometown. I like to travel through the country and visit the national and natural parks we have here. All of my images are taken in Portugal. People often ask me why don’t I go to other countries and I always say that I still don´t know my country well enough. As a piece of advice, I always say: Know your “backyard” first! Another of my passions is astronomy. I always was a star gazer since I can remember and looking at the night sky always gives me a sensation of humility and helps to put things in another perspective. Helps me to understand how important and fragile is the planet we live in. This astronomy passion leads me to another type of photography: night photography. It is something that I really love doing. I like the challenge of not having light or having just a small amount of it. It makes me develop new techniques, understand light and how to use it and show a world that it’s unusual to see. Star trails, lightning, the stars, the moon and the movement of the ocean and light itself are some of my favorite subjects. At the end of the day, when the other photographers return home, that’s when I start to photograph! This is just a very small sample of who I am. Feel free to visit my photo gallery including my latest work. Check out the News section for new courses or exhibitions. And don´t forget to send an email in case you have something to say about it. All the best Gonçalo Lemos

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