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Centenário do nascimento de José Gregório

by on 3 de Janeiro de 2014
 

1908-2008

Centenário do nascimento de

José Gregório

José Gregório

JOSÉ GREGÓRIO

“Dedicação ilimitada ao nosso Povo, e à nossa Pátria”

“Orgulho do partido e do Povo”

Álvaro Cunhal (Referindo-se a José Gregório no tribunal fascista que o condenou)

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José Gregório

José Gregório

Alguns dados biográficos

de

José Gregório

 

 

 

  • Nasceu a 19 de Março de 1908 na Marinha Grande
  • Operário vidreiro, começou a trabalhar aos 8 anos
  • Em 1926, intervém na reorganização da Associação dos Garrafeiros, na qual ocupa um cargo de responsabilidade
  • Em 1931 participa na constituição do Sindicato Nacional dos trabalhadores do Vidro, para a direcção
    José Gregório com os pais

    José Gregório com os pais

    do qual foi eleito em 1933

  • Em 1933 adere ao PCP
  • Em 1934 tem participação activa na organização e realização do 18 de Janeiro na Marinha Grande, contra a fascização dos sindicatos
  • Em Fevereiro de 1934, por indicação do PCP, vai para Espanha, sendo preso em Orense. Por acção do Socorro Vermelho Internacional e da classe operária de Orense foi libertado pouco depois
  • No começo de 1938, em plena guerra civil, volta a Espanha. Em meados desse ano, por indicação do Partido, regressa a Portugal, integrando a direcção do Socorro Vermelho Internacional. Pouco tempo depois é preso pela PVDE (PIDE)
  • Libertado em Junho de 1940, retoma a actividade partidária, vindo a
    José Gregório

    José Gregório

    Foto de José Gregório, nos finais dos anos 50, na Checoslováquia

    Foto de José Gregório, nos finais dos anos 50, na Checoslováquia

    desempenhar papel destacado na reorganização do PCP nos anos 40/41

  • Em 1941 é encarregue de montar a tipografia clandestina do «Avante!»
  • No começo de 1943 é chamado ao Secretariado do Comité Central. Nessemesmo anoparticipa no III Congresso do Partido (1º ilegal) tendo sido eleito para o Comité Central e para o Secretariado, com Álvaro Cunhal e Manuel Guedes, responsabilidade que manteve até 1956.
  • Em 1956, já doente, foi para a Checoslováquia
  • Em 1961 faleceu em Praga

 

José Gregório, foi um corajoso, perseverante e consequente lutador pela liberdade, contra a exploração e a opressão, pelo socialismo e o comunismo, causas às quais dedicou toda a sua vida

 

José Gregório

José Gregório

 

Dirigente operário e

sindicalista vidreiro

 

 

 

 

Aprendizes de trabalho vidreiro e de cristalaria nas fábricas da Marinha Grande

Aprendizes de trabalho vidreiro e de cristalaria nas fábricas da Marinha Grande

Tal como a maioria dos filhos dos operários vidreiros das primeiras décadas do Século XX, também José Gregório, inicia uma profissão no vidro, como aprendiz.

É na “escola da luta do proletariado vidreiro” que crescentemente afirma a sua identidade e independência, que, com 12 anos, em 1920, participava e dirigia uma greve dos pequenos operários da empresa CIP e, em 1924, dava o seu contributo militante na reorganização da Associação de Classe dos Operários Garrafeiros. José Gregório vive e age nos tempos da grande crise do sistema capitalista (Grande Depressão de 1929) que tem na indústria vidreira efeitos devastadores.

Com as empresas encerradas os vidreiros irão construir, em condições duríssimas, algumas das estradas que atravessam o Pinhal de Leiria.

José Gregório aí estará, com outros, a dinamizar e organizar a luta pela exigência de transporte e pela melhoria dos salários.jg_0010

Entre 1929 e 1933 José Gregório assume, com António Guerra, Augusto Costa, entre outros, um papel destacado na condução da luta dos vidreiros, nas quais se inscrevem as “marchas da fome” e na batalha pela unificação das associações sindicais de classe que se concretizará em 1931.

Em 1932 será um dos impulsionadores e dos dirigentes da greve de nove meses, na

Fábrica Pereira Roldão (actuais instalações de Complexo Municipal) onde decorreu uma greve de nove meses em 1932

Fábrica Pereira Roldão (actuais instalações de Complexo Municipal) onde decorreu uma greve de nove meses em 1932

empresa Guilherme Pereira Roldão. Greve vitoriosa, que teve o apoio e a solidariedade de toda classe vidreira

e que garantiu o salário aos trabalhadores em greve.

Neste período, com a ditadura militar, acentuou-se a repressão sobre dir

igentes sindicais e os operários em luta, tendo sido muitas vezes presos e perseguidos. Situações que deram origem às mais expressivas manifestações de massas de solidariedade da classe operária vidreira. José Gregório, era da Direcção do Sindicato, em 1933, quando a ditadura fascista de Salazar manda encerrar a sede do Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Indústria Vidreira e se iniciava a fascização dos sindicatos.

 

 

José Gregório

José Gregório

José Gregório

na Heróica Jornada

do 18 de Janeiro

 

 

 

 

 

Estação dos Correios que foi ocupada pelo Movimento no dia 18 de Janeiro de 1934 Instalações do Quartel da GNR, que foi ocupado pelo Movimento 18 de Janeiro de 1934

Estação dos Correios que foi ocupada pelo Movimento
no dia 18 de Janeiro de 1934. E as
Instalações do Quartel da GNR, que foi ocupado
pelo Movimento 18 de Janeiro de 1934

O 18 de Janeiro de 1934, jornada heroica do proletariado vidreiro da Marinha Grande, contra a fasciszação dos sindicatos e marco da abnegada luta dos trabalhadores portugueses pela liberdade, por uma vida digna e uma sociedade mais justa, tinha a determiná-lo a compreensão do que o fascismo representava de repressão, exploração e miséria para os trabalhadores, E a sua concretização só foi possível pela existência de uma classe operária temperada por importantes lutas, uma combativa organização de classe,um Partido

Comunista coeso e determinado e dirigentes corajosos e abnegados da dimensão de José Gregório. Membro do PCP e dirigente sindical, é nessa dupla qualidade que teve uma intervenção destacada na preparação e realização do 18 de Janeiro de 1934 da Marinha Grande.

José Gregório estava na Marinha Grande quando soou a hora de toda a coragem, dirigindo com António Guerra e outros o plano que o comité do Partido havia concebido para o movimento, distribuindo tarefas e participando no assalto com os principais activistas do Partido e do movimento sindical ao posto da GNR, até à sua rendição.jg_0013-01-1

Por horas ocuparam a vila e instituíram o seu soviete. Os revolucionários do 18 de Janeiro foram derrotados num combate em que a heroicidade não bastava para vencer a enorme desigualdade de forças. Mas tal facto não põe em causa o que o 18 de Janeiro representa como heróico feito da classe operária portuguesa. Muitos dos abnegados revolucionários do 18 de Janeiro foram alvo da extrema violência e arbitrariedade pelo governo da ditadura salazarista. Sucederam-se as condenações a pesadas penas de prisão.

José Gregório no seu relatório sobre os acontecimentos, descreve-os como um dos mais significativos actos de coragem e valentia dos operários vidreiros, dos sentimentos democráticos do povo da Marinha Grande e da abnegada combatividade dos comunistas.

 

José Gregório foto da prisão

José Gregório foto da prisão

Destacado dirigente

do

PCP

 

 

José Gregório já como quadro clandestino do PCP foi preso e brutalmente espancado em Agosto de

Em cima: Álvaro Cunhal, Dias Lourenço e outros camardas em encontros para a reorganizaão do PCP nos anos 1940/41, em que José Gregório teve também uma destacada participação

Em cima: Álvaro Cunhal, Dias Lourenço e outros camardas em encontros para a reorganizaão do PCP nos anos 1940/41,
em que José Gregório teve também uma destacadaparticipação

1938, pouco tempo depois de ter regressado de Espanha onde tinha sido enviado pelo Partido para desempenhar tarefas de carácter internacionalista na Guerra Civil de Espanha.

As torturas policiais a que foi submetido e os 2 anos passados nas cadeias fascistas, não abalaram a sua disponibilidade revolucionária.

Libertado em 1940, reingressa na luta clandestina para ser um dos mais destacados iniciadores da reorganização do PCP de 1940/41.

Tem a responsabilidade da montagem da tipografia com que se reiniciou a publicação do “Avante!” em 1941 e desenvolverá trabalho organizativo em diversas organizações que vão do Sul ao Norte do país.

Membro do Comité Central do PCP e do seu Secretariado teve um importante papel na elaboração e concretização da linha sindical do Partido e na direcção do

trabalho sindical que haveria de potenciar o desenvolvimento das grandes lutaspcp_00-01-4999

operárias da década de 40.

Perante a grande vaga repressiva de 1949 que conduziu à prisão alguns dos mais responsáveis dirigentes do PCP (Álvaro Cunhal e Militão Ribeiro), José Gregório, faz parte do núcleo de direcção que teve um papel n

otável na recuperação e reforço do Partido, da sua unidade e disciplina em torno da sua linha política e em defesa do Partido contra os golpes da polícia fascista.

Uma intensa actividade prosseguirá nos anos seguintes.

Ficha da prisão de Álvaro Cunhal em 1949

 

 

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Uma tipografia clandestina.

É o coração da

luta popular

 

 

 

 

Em 1941, como resultado do trabalho de reorganização e exigência para o desenvolvimento da acção do Partido, é reerguido o aparelho técnico de agitação e propaganda clandestina.

Processo de impressão do «Avante!»

Processo de impressão do «Avante!»

Reactivar a publicação do «Avante!» tornou-se uma prioridade.

Coube a José Gregório a tarefa de montar a tipografia clandestina com que se reiniciou a publicação do «Avante!» que, apesar das perseguições policiais, se viria a publicar interruptamente até ao 25 de Abril de 1974, sempre impresso no interior do País, o que constituiu caso único no mundo, no panorama da imprensa clandestina.

O «Avante!» desempenhou papel determinante na denúncia da política e dos crimes do fascismo, no esclarecimento das massas e na mobilização e organização das suas lutas.

O papel do «Avante!» como organizador e orientador da luta dos trabalhadores e das massas populares, não teria sido possível sem a dedicação e abnegação dos homens e das mulheres que durante mais de três décadas asseguraram o funcionamento das tipografias clandestinas, que eram “ O coração da luta popular”, como costumava dizer José Moreira, comunista e operário natural da Marinha Grande, assassinado em Janeiro de 1950, quando era responsável pelo aparelho da tipografia do «Avante!»jg_0026

 

 

José Gregório

José Gregório

José Gregório

um dos

construtores do

PCP

 

 

 

A vida e a actividade de José Gregório estãoestreitamente ligadas à transformação do PCP no grande partido nacional que viria a ser depois da reorganização dos anos 40/41 e na qual desempenhou papel activo.

José Gregório na Checoslováquia em finais dos anos 50

José Gregório na Checoslováquia em finais dos anos 50

Como dirigente do Partido, responsabilidade que assumiu em 1943, a actividade de José Gregório está igualmente ligada a

grandesêxitos da vida partidária como a realização do III e IV Congressos do PCP (respectivamente 1943 e em 1946); à organização e condução das grandes movimentações operárias, nomeadamente as greves de 1942, 1943, 1944, 1945,1947; ao desenvolvimento da unidade antifascista com a criação do MUNAF, MUD, MUD Juvenil; à campanha eleitoral do General Norton de Matos (1949) que mobilizou centenas de milhares de portugueses, naquela que foi uma das maiores jornadas de luta contra a ditadura fascista.

José Gregório desempenhou igualmente papel importante na defesa do Partido tomando com outros camaradas todo um conjunto de medidas para conter a ofensiva oficial que se abateu sobre o PCP, após as prisões de Álvaro Cunhal e Militão Ribeiro (1949), que com ele constituíram o Secretariado do Comité Central.

Gravemente doente parte para a Checoslováquia em 1956, onde continua a desempenhar importantes tarefas do Partido, nomeadamente no quadro das suas relações internacionais.

 

José Gregório faz parte, muito justamente, do núcleo dos Construtores do PCP.

 

 

 

 

 

José Gregório

José Gregório

Merecida homenagem

da sua terra natal

 

 

 

 

Em 18 Janeiro de 1975 regressam à terra natal os restos mortais de José Gregório, numa cerimónia que se transformou numa das mais impressionantes manifestações populares que se assistiu na Marinha Grande.

Funeral de José Gregório em 1961 na cidade de Praga, na Checoslováquia

Funeral de José Gregório em 1961 na cidade de Praga, na Checoslováquia

“Marinha Grande é um nome escrito a ouro na história do movimento operário português.

Melhor se pode dizer: escrito com lágrimas e com sangue.

Porque a luta dos trabalhadores da Marinha Grande ao longo de 50 anos de fascismo foi paga com pesadas perdas, com perseguições, torturas, prisões, com o assassínio e a deportação de muitos dos seus melhores filhos, com séculos passados nas masmorras fascistas por muitos anos, com privações e

sacrifícios silenciosos e anónimos das famílias dos militantes, educadas na mesma escola de elevada consciência de classe e incansável combatividade.

As tradições de luta do proletariado da Marinha Grande são inseparáveis da actividade dos comunistas. A classe forjou a sua vanguarda revolucionária – a vanguarda revolucionária (os comunistas) soube estar à altura da classe.

Marinha Grande pode orgulhar-se de muitos combatentes de vanguarda que tem dado ao movimento operário. Pode orgulhar-se dos seus mártires e dos seus heróis. E a vinda para a sua terra natal, hoje, nesta data, dos restos mortais de um mi

Comicío do PCP, na Marinha Grande, com a participação de Álvaro Cunhal, por ocasião do 18 de Janeiro, em 1975, dia da transladação dos restos mortais de José Gregório da Checoslováquia para o cemitério local

Comicío do PCP, na Marinha Grande, com a participação de Álvaro Cunhal,
por ocasião do 18 de Janeiro, em 1975, dia da transladação dos restos mortais
de José Gregório da Checoslováquia para o cemitério local

litante comunista que

deu toda a sua vida à luta pela liberdade da classe operária e do povo português – o camarada José Gregório – é, ao lado de outros nomes gloriosos, um símbolo das qualidades e tradições do proletariado da Marinha Grande e do papel da sua vanguarda revolucionária – o Partido Comunista Português.”

 

Álvaro Cunhal

(Discurso, na Comemoração do 18 de Janeiro, em 1975 dia da transladação dos restos mortais de José Gregório da Checoslováquia para o cemitério da Marinha Grande)

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