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Atlético Clube Marinhense

by on 20 de Novembro de 2013
 

ACMAtlético Clube Marinhense

Apesar de actualmente existirem na nova cidade da Marinha Grande várias dezenas de clubes desportivos, este continua a ser de todos o mais prestigiado, principalmente na modalidade de futebol.
Foi fundado em 1 de Janeiro de 1923 por Adriano Marques Roldão, Adriano Possidónio Marques, Adriano Rodrigues, Álvaro Mário Couceiro Neto, Dr. António Gomes de Almeida, Armando de Abreu e Sousa, Armando Luís Marques, Joaquim Neto Ferreira, José Pereira Ferreira, Luciano Nobre Marques, José Guarda Marques e Matias Freitas Orfão. Além dos fundadores, fizeram parte da primeira Direcção Joaquim de Carvalho Salgueiro, José Matias Ferreira, Aníbal da Silva Neto, António de Abreu e Arnaldo Galo. Guilherme Pereira Roldão foi o primeiro presidente da Assembleia Geral.

A finalidade da fundação deste clube foi a prática dos desportos, principalmente do futebol. Foi sempre um clube voltado para o desporto, nunca tendo tido preocupações com o aspecto cultural da sua massa associativa. Além do futebol, praticou pesca desportiva, tiro aos pratos, tiro aos pombos, ténis, natação, ciclismo, basquetebol, voleibol, ténis de mesa, atletismo e columbofilia.

acm_campoAs cores desportivas do clube são: camisola com listas pretas e brancas ao alto e calção preto. Nos primeiros anos, o Atlético atravessou grandes dificuldades financeiras, agravadas por volta de 1927-28, devido à grande crise vidreira. Raúl dos Santos Tovim e Joaquim Carvalho Salgueiro conseguiram ultrapassar essa grave situação, garantindo a sobrevivência do clube.

A primeira sede foi instalada no sotão da cavalariça de Jacinto de Abreu (“Bailarico”), onde hoje é o pátio da Câmara Municipal. Esteve depois instalada em várias casas, todas elas alugadas: nº 11 da R. Alexandre Herculano, nº 4 da R. Joaquim de Carvalho Oliveira, onde em tempos estivera a fábrica de licores Coelho & Galo, R. Marquês de Pombal, Travessa Marquês de Pombal, R. Pedro Viana. A sede é hoje no largo do Albuquerque. A secretaria funciona nas instalações do campo de jogos. Em 1955 realizou-se uma campanha de fundos para construção de um ginásio-sede, tendo havido muitas ofertas, em materiais de construção e em trabalho. Mas direcções posteriores tudo venderam para realizarem o capricho utópico de levar o clube à 1ª Divisão Nacional. Com a mesma intenção, mais recentemente, foi subalugada parte da sede, privando os sócios de salas de convívio e dos chamados desportos de salão, como o bilhar e o ténis de mesa.
0 primeiro campo foi construído no Pinhal da Feira, tendo sido inaugurado em 1 de Maio de 1923. Não tinha sequer um vestiário e a vedação era feita por uma corda. Nos anos 1930, por impulso de Joaquim de Carvalho Salgueiro, coadjuvado por Aníbal Roque (antigo jogador do Chelas, de Lisboa), construiu-se, com a ajuda de muitos sócios e praticantes, o actual campo da Portela, que ainda se mantém, em terreno alugado aos herdeiros de António Morais. Pelos anos adiante foram feitas obras neste campo: em 1939, foi vedado; em 1941, fez-se a bancada; em 1955, construíram-se os balneários e as cabines médica e de árbitros. Construíram-se depois instalações sanitárias, secretarias, garagem, arrecadações e um ringue de patinagem. É um dos melhores campos “pelados” do distrito; foi alvo de obras recentemente, apresentando um bom aspecto.

0 ACM possui ainda um autocarro para transporte dos seus atletas. Ao longo de 62 anos de actividade desportiva, o clube conquistou alguns milhares de troféus, que representam o esforço de muitos atletas e não têm sido devidamente resguardados, encontrando-se numa dependência dos balneários.

0 primeiro jogo de futebol realizado foi em 1923, na inauguração do campo, com o União Futebol Leiriense, sendo a primeira equipa composta pelos seguintes jogadores: guarda-redes, Luciano Nobre Marques; defesa direito, Joaquim Matias Ferreira; defesa esquerdo, Arnaldo Galo; meio defesa direito, João Freitas Órfão; meio defesa esquerdo, Manuel Matias Ferreira; meio defesa central, Álvaro Neto; ponta direita, José Galo; meia direita, Rogério Morais; avançado centro Jaime Pereira Ferreira; meia esquerda José Pereira Ferreira; ponta esquerda José Afonso de Barros. Foram juízes de linha Matias Freitas Órfão e José Guarda Marques, dando o pontapé de saída Guilherme Pereira Roldão. Este jogo foi apreciado por centenas de pessoas, tendo saído vencedora a equipa de Leiria por, salvo erro, quatro bolas a uma. Mas foi após a criação da Associação de Futebol de Leiria (20 de Maio de 1929), da qual o ACM foi fundador, que o futebol teve maior incremento, pois começou a disputar-se o Campeonato Distrital, que despertou grande entusiasmo. Sob preparação técnica de Aníbal Roque (primeiro treinador do clube) e orientação de Joaquim C. Salgueiro, foram escolhidos os seguintes jogadores: Afonso Henriques, Francisco A. de Barros, José Órfão, Vitorino Saraiva, Artur Nogueira, Alfredo Veloso, Pascoal, José Rato, José Saraiva, Augusto Nogueira, Aníbal Roque (capitão) e Aníbal Augusto. Esta famosa equipa venceu sete dos primeiros nove Campeonatos Distritais, sendo consecutivas as primeiras quatro vitórias (1930-31 a 33-34). Nesses tempos, seu valor era tal que dez dos seus onze jogadores faziam parte da selecção do distrito.

0 clube obteve também, em seniores: três presenças na Liga, nos anos 30, sendo em 36-37 primeiro do 5º Grupo e primeiro da zona B; vinte e oito presenças na II Divisão, nos anos 30,40,50,60,70 e 80; treze presenças na III Divisão, nos anos 50,60,70 e 80, tendo sido primeiro da Zona B e disputado a meia-final em 1954-55 e sido primeiro da Zona C e disputado a meia-final em 1968-69; vinte e seis presenças na Taça de Portugal, nos anos 50 e 80, tendo atingido os oitavos de final em 1971-72 e 1984-85.

Em juniores, conta várias presenças no Campeonato Nacional, tendo disputado a meia-final na época de 1943-44 e chegado à segunda fase na época de 1983-84. Em juvenis, disputou o Campeonato Nacional na época de 1982-83.

Por volta de 1955, o ACM enveredou pelo futebol profissional, medida bastante contestada por vários sócios.

Dentre os futebolistas do clube, evidenciaram-se Vítor Manuel Soares Fernandes, que foi jogador profissional e fez parte da selecção nacional da modalidade, assim como Esperança Reis, José João Pedroso Martins, Parada, Leitão e Vítor Manuel (que não foram formados no ACM).

0 clube dedicou-se também à prática do ciclismo, tendo vencido várias provas a nível nacional e internacional, nomeadamente através de José Gaspar Pedroso Júnior, que se tinha iniciado no SOM. Também correram neste clube António Marrazes Júnior, (o “Trinta e Três”), Joaquim Marques de Oliveira, etc..

0 Atlético foi também campeão distrital em ténis de mesa.

Em atletismo, várias figuras aqui se destacaram, sendo os mais antigos António Lourenço Ferreira e Álvaro Alves Marrazes. Ana Paula André foi várias vezes campeã distrital no lançamento de peso, foi campeã da Estremadura e Vale do Tejo na categoria de infantis, campeã nacional juvenil na época de 1982-83 e segunda classificada no Campeonato Nacional de juniores em 1983-84. Raimundo dos Santos detém, além de vários títulos distritais, o de melhor iniciado em 1500 metros nos Campeonatos Nacionais de 1982-83. Na época de 1983-84 foi campeão nacional em 800 e 1500 metros (juvenis) e terceiro nos Campeonatos Nacionais de juniores, em pista. Transferiu-se depois para o Sporting Clube Portugal. Fernando da Costa Figueiredo iniciou-se em 1980-81, tendo sido campeão nacional da categoria de iniciados já no Atlético, a partir da época de 1983-84, foi campeão distrital e em 1985 foi campeão nacional. Ainda em 1985, foi seleccionado para representar Portugal nos Campeonatos Mundiais de Corta-Mato, disputados no Estádio Nacional (Jamor), onde se classificou em 28º lugar, sendo o melhor português; a sua melhor marca nos 3000 metros foi de 8.29.8.

Foi ainda no Atlético que se iniciaram na Marinha Grande as actividades de boxe – trazido primeiramente pelo campeão do Sul de Portugal, Faustino Pereira, e mais tarde continuado por Alípio das Neves Morais Matias – assim como a prática do tiro, havendo por volta de 1940 vários campeões, como Acácio Morais, Joaquim Dinis Alves e também Alípio Morais Matias.
Em 1973, aquando das suas bodas de ouro, o clube foi agraciado pela Câmara Municipal com a Medalha de Prata do concelho e pelo Ministro da Educação com a Medalha de Bons Serviços Desportivos. Foi ainda declarado de Utilidade Pública.

Tem cerca de 1 500 sócios, que pagam mensalmente, segundo o seu lugar no acesso aos jogos de futebol, 160, 200 e 240 escudos. Tem como sócios honorários os senhores Álvaro Couceiro Neto, sócio fundador e no 1, e Dr. Silva Pinto, antigo ministro das Corporações. Além destes, ajudaram o clube, em várias épocas, Aníbal H. Abrantes, Luís Ferreira da Silva, António Rodrigues dos Santos (“Picotilho”), Joaquim Guarda, José Manuel S. Roldão, Joaquim Roldão Seiça, Manuel Pereira Roldão, Eugénio de Noronha, António V. N. Matias, José Cardeira e António Ferreira Coimbra, este de extrema dedicação.

Fazem parte dos actuais Corpos Gerentes os associados Américo Gonçalves (presidente da Assembleia Geral), Manuel Domingues dos Santos (presidente do Conselho Fiscal), José Agostinho dos Santos (presidente da Direcção) José António Sequeira Gomes (tesoureiro) e Alberto Tojeira Simões (secretário geral).

 

condensado de: Cidade de Marinha Grande – Subsídios para a sua História
autoria de: João Rosa Azambuja
edição de Pelouro da Cultura da Câmara Municipal da Marinha Grande
edição integrada nas Comemorações dos 250 anos da Indústria do Vidro
data de edição – Dezembro de 1998

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