Palavras
1104 views 0 comments

50 ANOS DE ARTE SOBRE CRISTAL

by on 5 de Novembro de 2013
 

José Manuel Roque de Jesus (Líbano) Prosa

50 ANOS DE ARTE SOBRE CRISTAL

LAPIDAÇÃO

É a arte de talhar o vidro por efeito do desgaste produzido pela fricção por rodas ou mós de esmeril, accionadas actualmente por motores eléctricos ligados a máquinas ou engenhos de lapidar.0 autor deste livro embora seja um exímio lapidário, não tem conhecimento quanto à antiguidade deste método de decoração aplicado na indústria vidreira, mas o nome dela, lapidação, lapidagem, lapidário, deve transitar dos nomes aplicados à arte de talhar as pedras preciosas.A arte de lapidar o vidro deve ter tido o seu maior desenvolvimento com a invenção da máquina a vapor, pois que permitiu à indústria vidreira utilizar a força motriz por ela produzida, accionando ao mesmo tempo inúmeros engenhos de lapidar.0 artista que lapida o vidro, deve incluir na sua «bagagem» profissional elevados conhecimentos de desenho geométrico, saber o que é uma faceta sem estar «mordida» ou «martelada», executar qualquer lapidação onde os «inquinamentos» sejam perfeitos, lapidar estrelas de seis, oito, dez, doze, catorze, etc. raios incluindo também as de raios impar, executar qualquer tipo de xadrez, destrinçar um pinhão dum gomo, saber o que é uma palma, etc.

Actualmente as máquinas de lapidar são de alta precisão e muito rotactivas e com rodas abrasivas à base de resíduos de diamante, que lhe conferem um alto poder de desgaste rápido e de fácil manuseamento.

Um óptimo, lapidário demora anos a «fazer-se» e mesmo assim muitos não atingem essa craveira.

A arte de lapidar o vidro actualmente a mais utilizada, quer pela indústria vidreira nacional, quer pela mundial.

Cabe aqui dizer que todas as peças que são lapidadas, apresentam uma tonalidade fosca, tendo que ser submetidas à operação de polimento, que é feita por rodas cortiça ou corticite humedecidas com pedra pomes em pó e água, e rematadas com uma passagem por uma roda de feltro ou pano, também humedecida com óxido de ferro ou óxido de cérium com água, que vai conferir ao vidro o seu brilho natural.
Actualmente o método químico de polir o vidro é o mais utilizado pela indústria vidreira, não só pela rapidez com que a peça é polida mas também pela quantidade de peças que pode polir ao mesmo tempo.

Do livro: “50 anos de arte sobre cristal” José Manuel Roque de Jesus (Libano)

GRAVURA A ÁCIDO FLUORÍDRICO

 

A gravura a ácido fluorídrico é um método de decoração, que consiste em tirar partido do efeito de corrosão, que este ácido tem sobre o vidro.Há vários processos de gravar o vidro pela acção corrosiva deste ácido, mas em todos eles é necessário isolar a peça a gravar, nas partes que o gravador entender, que não devem ser atingidas pelo ácido.0 mais utilizado é a gravura efectuada com o auxílio de uma máquina, (pantografo) munida de agulhas, que abrem sulcos na cera que envolve as peças de vidro a gravar e que previamente foram mergulhadas num banho de cera quente, na qual se abre o desenho que se pretende gravar depois desta esfriar.Também se utiliza com frequência o método de gravação por decalque de um desenho numa chapa de vidro, da qual se tiram as cópias que serão depois aplicadas nas peças a gravar. Estas cópias são tiradas da chapa de vidro com papel especial para o efeito no qual fica impresso o desenho em cera preparada para esta operação e que o gravador antecipadamente aplica numa fina camada sobre a chapa de vidro, também chamada matriz.

As fotografias dos trabalhos a ácido executados por Libano e que figuram neste livro até à página 43, foram feitos por outro método de decoração de mais difícil execução, pois que são feitos pela aplicação manual e por pincel, de um verniz, composto por uma solução de cera, pêz louro, betume da judeia, águarraz, negro de fumo, etc. que o gravador vai aplicando conforme o desenho a gravar e de modo a deixar a descoberto as zonas que pretende que o ácido corroa.

Saliente-se que para a gravação de retratos, esta só pode fazer-se sobre cristal «double» que é constituído por duas camadas de vidro, sendo a interior incolor e a exterior de preferência azul, roxa e vermelha.

Esta cor exterior deve ter sensivelmente uma espessura de 0,5 milímetros, que o gravador vai desbastando com banhos sucessivos de ácido, até atingir o vidro incolor. Para cada banho no ácido, corresponde sempre uma camada verniz aplicada a pincel, e do qual vão resultando sucessivamente as diversas tonalidades que constituem as nuances da gravura que se pretende.
As gravuras são rematadas com um último banho de ácido para foscar, que pode ser dado pelo interior ou exterior da peça gravada e cuja função é realçar o retrato ou qualquer outra gravura.

Do livro: “50 anos de arte sobre cristal” José Manuel Roque de Jesus (Libano)

GRAVURA Á RODA

 

A gravura à roda é um dos métodos de decoração sobre o vidro, mais antigo que se conhece. Em Portugal aos gravadores à roda dava-se o nome de floristas, porque eram as flores o tema decorativo que mais aplicavam no seu trabalho de gravação.Consiste este sistema de decoração em fazer chegar a peça a gravar, a uma ponta metálica em cobre e que é animada de um movimento de rotação, que lhe é transmitido por um pequeno motor eléctrico. A essa ponta de cobre faz-se chegar continuadamente finíssimo esmeril em pó levemente humedecido em água ou azeite que por efeito de fricção desbasta o cristal dando-lhe uma tonalidade de vidro fosco mas de fina textura.Os antigos gravadores executavam os seus trabalhos em pequenas máquinas accionadas por pedais.Para dar forma às gravuras, utilizam-se vários formatos de pontas, que são substituídas com facilidade. A gravura à roda é um trabalho moroso, que resulta sempre numa gravação de efeito maravilhoso de acordo com o desenho, profundidade de gravura e gosto do artista.
Nunca houve muitos artistas gravadores à roda na indústria vidreira portuguesa, porque esta arte além de difícil é bastante morosa, o que leva os industriais do vidro, a não a explorarem comercialmente, porque as peças gravadas ficam sempre muito caras, não impedindo no entanto de terem existido na Marinha Grande gravadores excepcionais, tais como João de Magalhães, Justino Magalhães e actualmente em Alcobaça «Calder».

Do livro: “50 anos de arte sobre cristal” José Manuel Roque de Jesus

Outras áreas de Palavras