História
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Realidades

by on 20 de Outubro de 2013
 
Num significativo de grande satisfação, o Povo viu a descida cambial da libra, na suposição de que a vida normal se lhe seguiria, voltando aos tempos em que os generos de primeira necessidade custavam uma insignificancia, mas esquecendo-se em absoluto de que os vencimentos desse tempo tambem estavam relativos com esse preçario.
A libra desceu, o Povo acompanhou a descida, julgando que d’ahi a dois dias continuaria a ganhar 2:000 mas que os artigos de primeira necessidade os adquiriria pelo custo anterior à guerra.
É razoavel que os generos baixassem, atentas as circunstancias cambiais, mas é certo que os retalhistas são Povo também, na sujeição do poder dos grandiosos comerciantes.
O resultado vê-se: Da descida cambial, apresentou-se a enorme crise, que conduz ás mais terriveis hecatombes.
O grande comerciante não quer perder, por que não quer, por que entende que é bom acumular, mas é muito mau desacumular, embora sem perda; o retalhista não póde acompanhar a descida, por que se arrisca à falência!
E assim, o retraimento, que dá em resultado a tristissima situação em que nos encontrâmos e para a qual todos concorremos e por diferentes fórmas.
Se é certo que os que trabalham teem razão, há tambem razão naqueles que os fornecem, pois a sua exploração tem alicerces na liberalidade da compra do superfluo.
A unica fórma de combater a usura é fugir à compra daquilo que podemos dispensar.
Desta fórma evitar-se-iam muitas manigancias e excessos de part e daqueles que só sonham com grandes capitais, sujeitando-nos ao estupido epiteto de gulosos.
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Os generos baixaram tanto, que a duzia de ovos vendeu-se a 7$00 e dahi todos os outros artigos necessarios à vida.
E por toda a parte o mesmo, a contrastar com a paralisia das fabricas, com o calculo cauteloso dos encomendeiros, com a resolução avara dos açambarcadores!
Ovos a 7$00 a duzia!
Só nesta epoca, em que a libra desce, em que o trabalho falta, em que a miseria ameaça, em que a industria paralisa e em que… os grandes exploradores tomam gemadas para se restaurarem!..

in: O IMPARCIAL – Nº 3
de 10 de Dezembro de 1924

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