História
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Duas Palavras

by on 20 de Outubro de 2013
 

Duas Palavras

Ser politico no momento atual é coisa que não se coaduna com o nosso espirito irrequieto em que se albergam sãos principios. Batalhamos energicamente por um ideal que supuzemos sempre como inexpugnavel baluarte desta Republica de catorze anos.
Porêm, desilusões amargas que sofremos durante o longo periodo que nos dedicámos à defeza de tais principios enjoou-nos de pugnas politicas obrigando-nos à acção de simples mirone, indiferente à febre dos que se degladiam no intuito unico e exclusivo de se elevarem ou de satisfazerem rancores. A dedicação por ideais, de nada vale, pois que os seus dirigentes, de posto culminante tudo terão em mira menos a apologia da justiça que possa assistir a correligionários de posição humilde.
Estas palavras não significam que deixemos de ser republicano e patriota de alma e coração. Mas isto apenas, sem peias, livres, como o ar.
Isto, quanto a politica geral, cujo decorrer merecerá o nosso aplauso ou a nossa censura, no direito de português.
Quanto a politica local, não a faremos. Cristo quando andou pelo mundo não foi capaz de endireitar o que andava tôrto. E esse tinha o condão de fazer milagres. Nós, sem esse condão, estamos em piores circunstancias. Não esperem, pois, vêr arengas nem verrinas, que podem ser muitoboas, mas a que se antepõe o ditado « Ninguem quer a justiça em sua casa … »
Posto isto, apenas nos limitaremos ao relato dos casos ocorridos no nosso concelho, trabalhando com dedicação e delicadeza em prol do que ele necessitar. E, assim animados, por muito satisfeitos nos daremos se algo conseguirmos, dando por bem a fórma da Marinha Grande continuar com a sua imprensa, modesta é verdade, mas que não poderá dispensar, como um dos seus melhoramentos.

in: O IMPARCIAL – Nº 1
de 10 de Novembro de 1924

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