História
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Ilidio Duarte de Carvalho

by on 13 de Outubro de 2013
Positives

Mobilização

Negatives

Funeral

Bottom Line
 

Texto Publicado no Jornal "Autonomia" em 25/25/25.

 

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«Quem nasce, morre!», frase da mais tradicional filosofia, que estoicamente deveria ser compreendida e abraçada, mas que, por fórma alguma, serve de lenitivo na Dôr cruciantissima dos que amam profundamente o ente que passa, que desaparece, que vai para a terra algida, para a decomposição, para o Nada!


A Marinha Grande, acaba de sofrer um rude golpe. A Perca, no seu lúgubre indiferentismo, ceifou-lhe uma Vida cara, arrebatou-lhe a mais solida energia, levando em seus braços descarnados para o Insondavel a Alma mais pura, o Coração mais nobre, o Cerebro mais bem formado!

Sim, Ilidio Duarte de Carvalho, aliava aos seus mais cativantes dotes de espirito, a sublimidade de fino Poeta, de Prosador cintilante, caustico sem chegar à ofensa, satirico cauteloso, sem produzir os laivos da indignação, por parte dos atingidos.
A sua pena, energica por vezes, comovedora na maioria dos casos, deu-lhe os foros, de mais ampla justiça, de primeiro intelectual marinhense.
E «O Imparcial» honra-se em ter dado à publicação uma das suas mais sentimentais produções – talvez a ultima – o sonetilho inserto em o numero 3, produzido já quando gravemente enfermo, demonstração do seu extremosissimo afecto pelo netinho, afecto que ia até à maxima idolatria.
Era um chefe de familia exemplar, um sabedor guarda-livros, um amigo dedicado, um marinhense ilustre, entre os ilustres!

Ilidio Duarte de Carvalho deixou toda a sua obra escrita. Representa ela um monumento literario que não póde ficar inedito. A Marinha Grande pela sua Câmara deve-o tornar publico, imprimindo-o e fazendo-o chegar ás mãos de todos os marinhenses, especialmente dos que as terras madrastas procuram o sustento quotidiano, e isto para que os vindouros possam conhecer e lembrar um lirico da sua terra, uma preclarissima intelegencia que soube elevar entre os primeiros o rincão onde viu a luz e cuja terra o cobriu.
É um grandioso Dever que se impõe e a que urge dar a mais rapida execução.

Ilidio Duarte de Carvalho era enciclopedico.
Poeta como musico, ele foi a alma da Serenata Marinhense, um dos Grupos mais perfeitos e mais afinados do distrito de Leiria e que deixou os creditos bem firmados na sua rutilante epoca, e funda recordação nos poucos que ainda hoje vivem e que dela fizeram parte.
Ilidio Duarte de Carvalho foi o herdeiro da bandeira da Serenata, mimo a que ele dedicava o holocausto duma sagrada reliquia e que cobriu, por sua vontade expressa, o caixão que guarda os seus restos mortais.
Escreveu para diversos jornais e para o teatro; para este a revista «Coisas da Minha Terra», que foi representada ha dois anos e que – coincidencia extraordinaria – teve a sua estreia em 10 de março de 1923, baixando á sepultura o corpo do autor em 10 de março de 1925.
Ilidio Duarte de Carvalho fez parte da Comissão Instaladora do Concelho, foi presidente da Câmara e administrador do Concelho, cargos que exerceu com a maxima imparcialidade e a contento de toda a gente.
Ilidio Duarte de Carvalho deixa o nome bem vinculada ao seu torrão natal. Espiritualmente não morreu. Na mente de todos os seus patricios, na alma literaria e nos corações dos numerosissimos amigos, ele revive sempre, envolto em saudosas lembranças da sua verve, das suas anedoctas, da sua fraternal convivencia e dos seus sabios e prudentes conselhos.
Vive espiritualmente; e no leito frio onde o seu corpo repousa, nesse sono profundo de onde não mais se volta, nós, frementes de crença, fazemos votos para que o descanço em que jaz não seja perturbado e que eolicas harmonias e canticos angelicais envolvam a sua Alma de poeta empirico, indomita domadora das Musas, rainhas do Pernaso!

A sua familia, e especialmente a Ilidio Pereira de Carvalho, que necessariamente ha de seguir os exemplos de seu amantissimo pai, enviamos a expressão sincera do nosso profundo pesar pelo passamento do ente querido, cuja falta não será menos sentida pela Marinha Grande, que tambem se envolveu em crepes, pranteando a grande perda do seu maior intelectual.

Antonio A. Santos

in: O IMPARCIAL – Nº 8
de 15 de Março de 1925

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