História
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Actividades Económicas

by on 19 de Outubro de 2013
 

Actividades Económicas

  • Real Fábrica de Vidros (até ao século XX);
  • Nacional Fábrica de Vidros (inícios do século XX);
  • Fábrica – Escola Irmãos Stephens (a partir de 4 de Outubro de 1954 até ao seu encerramento definitivo, em 1992).

Em 1748 o irlandês John Beare transfere a sua fábrica, de Coina, para a Marinha Grande, de forma a ficar próximo dos pinhais nacionais. Seis anos mais tarde a fábrica encerra.

É em 1769, no reinado de D. José 1, que o inglês Guilherme Stephens, com a ajuda de Sebastião José de Carvalho e Melo, Marquês de Pombal – que lhe concede um empréstimo no valor de 32:000 000 réis (32 contos / 159,62 euros) sem juros, bem como a utilização gratuita da lenha do Pinhal do Rei – funda a Real Fábrica de Vidros.

A Real Fábrica de Vidros, juntamente com o Pinhal do Rei, foram os principais motores impulsionadores do desenvolvimento económico, demográfico e social da Marinha Grande.

Os primeiros estudos para a fundação da fábrica por Guilherme Stephens foram em Vieira de Leiria, no entanto, a população vieirense opôs-se e o inglês resolveu fundá-la na Marinha Grande, no lugar da anterior fábrica. O início da laboração deu-se em 16 de Outubro de 1769, produzindo vidraça e, dois anos mais tarde, cristal.

Guilherme Stephens foi um verdadeiro “pai” dos seus trabalhadores, preocupando-se, sobretudo, com a sua educação. Recrutou mestres para lhes ensinarem as primeiras letras, para lhes darem aulas de desenho e de música. Construiu-lhes também o teatro Stephens, onde estes representaram uma peça de Voltaire em francês!!! Tudo com o objectivo de lhes incutir um “modelo de bons costumes, de disciplina e de solidariedade” (Barosa, 1993:47).

O fundador da Real Fábrica de Vidros morre em 1802, em Londres. Sucede-lhe o seu irmão João Diogo Stephens até 1826. Após a sua morte, a fábrica é doada ao Estado, atravessando, a partir desta altura, períodos muito conturbados, com greves e conflitos entre trabalhadores e patrões. A título de exemplo, as crises de 1859, 1905, 1908, 1917, 1929.

A crise de Maio de 1908 fez com que a população marinhense , num acto de desespero, marchasse a pé até Leiria, acampando durante dez dias junto do Governo Civil para que lhes fosse encontrada uma solução de forma a aliviar o seu sofrimento. O Governo Civil acabou por lhes dar dinheiro e trabalho nas sementeiras do Pinhal, bem como na abertura da estrada Marinha Grande –  Nazaré, a britar pedra.

O mesmo tinha sucedido no ano de 1859, forçando o Governo a determinar a ocupação dos operários na construção do caminho para o porto de S. Martinho.

No dia 12 de Maio de 1917 a Nacional Fábrica de Vidros suspendeu a laboração durante três meses.

Em 1929 assistimos novamente a uma crise videira, atirando os trabalhadores para a construção de duas estradas: a que vai de S. Pedro de Moel ao talhão 98 e da Ponte Nova ao Canto Ribeiro.

No dia 6 de Julho de 1937, a Marinha Grande recebeu uma visita das colónias. Chegados à Praça Stephens, foram visitar a Nacional Fábrica de Vidros.

É de notar o contributo fundamental que o Engenheiro Acácio Calazans Duarte deu para recuperar a situação precária que a fábrica atravessava. Foi seu director técnico e administrador de 27 de Junho de 1924 até 1966. Além disso, contribuiu para edificar o novo teatro Stephens, fundou uma escola primária que funcionava num dos anexos da fábrica e incentivou a construção de uma Escola industrial.

No dia 24 de Agosto de 1941 foi homenageado o fundador da Real Fábrica de Vidros, através da colocação do seu busto na Praça Stephens, oferecida pelos empregados e operários da Nacional Fábrica de Vidros.

A Fábrica Nacional de Vidros a partir de 4 de Outubro de 1954 passa a designar-se de Fábrica – Escola Irmãos Stephens (FEIS).

Em 1969 comemorou-se o II Centenário da FEIS (1769/1969). No dia 14 de Fevereiro de 1970, a Marinha Grande recebeu o Presidente da República, o Almirante Américo Tomás, que veio inaugurar as novas instalações da FEIS, no encerramento das comemorações do segundo centenário.

Após intensas lutas contra o encerramento da fábrica, esta acaba por fechar definitivamente em Maio de 1992. Em 1993 foi adquirida a parte fabril pelo industrial Jorgen Mortensen.

Em 1994, por proposta da Câmara Municipal, foi celebrado um protocolo de comodato com o Estado (detentor do património histórico e cultural edificado), no sentido de à administração municipal ser entregue todo o património edificado, a fim de nele se instalar um conjunto de equipamentos culturais.

No antigo palácio dos Stephens surge então o Museu do Vidro, inaugurado no dia 13 de Dezembro de 1998, com a presença do Sr. Presidente da República, Dr. Jorge Sampaio. Desde 1991, nas antigas instalações da FEIS, funciona a Escola Profissional e Artística da Marinha Grande (EPAMG) e no antigo edifício da Administração encontra-se a Biblioteca Municipal.

Em 1998 foram comemorados os 250 anos da indústria da Marinha Grande  (1748 – 1998 ). No âmbito da comemoração foi lançado, no dia 16 de Junho de 1998, uma medalha de bronze com a efígie de John Beare – introdutor da indústria vidreira na Marinha Grande – e cenas de uma obragem vidreira.

A indústria de produtos resinosos em Portugal teve origem no Pinhal do Rei, nos ensaios levados a cabo por Manuel Afonso da Costa Barros e, mais tarde, pelo professor de química, Sebastião Betamio de Almeida e Bernardino José Gomes.

O professor Sebastião Betamio de Almeida foi quem incentivou Bernardino José Gomes, empregado da administração das matas, a prosseguir as experiências no que dizia respeito à extracção da resina e no qual ele apresentou resultados bastante positivos.

Em 1859, Bernardino José Gomes é autorizado a erigir um edifício com o objectivo de nele instalar a fábrica de resinagem. Os materiais utilizados para a sua construção, como a pedra e a cal, vinham da Martingança, conduzidos pelo comboio americano. O edifício, com 4250 m2 , foi construído em terrenos onde a Real Fábrica de Vidros teve, em tempos, um armazém.

Em 1872 é aprovado o orçamento para terminar as obras do edifício da resinagem. São adquiridos os terrenos e casas anexas, construindo-se muros para vedar a área e isola-se totalmente o edifício dos prédios vizinhos.

No recinto interior do edifício existiu um depósito e purificação de resinas, bem como um grande lago e um jardim.

A sua fachada era iluminada em noites festivas, onde se realizavam bailes e, mais tarde, sessões de cinema.

Sobre o edifício existiu ainda um grande depósito de água, alimentado por um poço artesiano, para a extinção de incêndios, com duas bocas de incêndio, em frente do edifício.

Instalaram-se no edifício da resinagem, os bombeiros (em 1900), a Cruz Vermelha (em 1925), a Guarda Republicana (em 1918), a Central Eléctrica (em 1924) e a Legião Portuguesa .(em 1939).

No dia 28 de Janeiro de 1941, a população recebeu uma notícia que a deixou radiante: a Câmara Municipal da Marinha Grande tinha adquirido o edifício da resinagem e preparava-se para instalar o mercado municipal, cuja inauguração se realizou no dia 3 de Maio de 1942. Até esta altura o mercado realizava-se em plena rua, ao sol, à chuva e ao vento, como no período medieval, tal como nos conta o Engenheiro Arala Pinto, na sua obra “Pinhal do Rei”.

A  loja de Heliodoro Salgado esteve situada na Rua do Mercado, actual Rua Joaquim Carvalho de Oliveira, num edfício de 1º. andar, onde funciona hoje a loja conhecida como “Loja das Sementes”.

condensado de: Imagens do Século XX do Concelho da Marinha Grande
autoria de Patrícia Alexandra Balbino Grilo
edição de Pelouro da Cultura da Câmara Municipal da Marinha Grande
edição integrada no âmbito da exposição intitulada: «100 Anos de Fotografia do Concelho da Marinha Grande»
data de edição – Outubro 2001

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