Aberturas
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Interpretar a interpretação

by on 10 de Novembro de 2015
 

nuno_catitaEstamos num momento histórico e inédito, fruto da abertura total à interpretação dos resultados de umas eleições. E, ao que tudo indica, vai dar resultados ao nível de um novo governo.

Assistimos hoje ao chumbo do programa do governo, formado pela lista que ganhou as eleições, através da apresentação de 4 moções de rejeição apresentadas por 4 dos partidos que perderam as eleições, mas que representam, em conjunto, 52,6% dos deputados à Assembleia da República.

A sustentabilidade desta ação, para rejeitar o programa de governo está no facto de interpretarem a perda da maioria absoluta por parte da lista que ganhou as eleições como um sinal claro de que a maioria dos portugueses que foram votar não querem a direita a governar.

Visto assim, de uma forma simples e se fizer muita força até poderia quase concordar, mas, uma vez que se abriram as portas ao livre arbítrio, e também de uma forma simples, o conjunto dos portugueses que votaram nos partidos que não obtiveram assento parlamentar, assim como os que votaram em branco, os que votaram nulo e que os não votaram são 53,6%, significando, de uma forma simples, que a maioria dos portugueses não quer nenhum dos deputados que foram eleitos.

E agora? Qual a interpretação que os “entendidos” (que agora são só os de esquerda) fazem destes números?

Assistimos a uma campanha eleitoral em que o PS, a CDU e o BE se gladiavam entre si pela conquista do voto, a tática da CDU e do BE foi sempre conquistar votos ao PS, usando e abusando das críticas constantes aos socialistas, tantas e tão poucas que António Costa não conseguiu evitar a acusação direta a estes dois partidos de estarem a “desperdiçar energias” ao atacarem os socialistas.

Hoje estão todos de acordo, a fobia de afastar a direita do governo originou que alterassem os seus programas eleitorais, sim, isso mesmo, alteraram neste acordo as promessas que fizeram aos portugueses!

Mas, nesta liberdade de interpretação em que vivemos, o que é que interessam as promessas feitas pelo Bloco de Esquerda, pela CDU e pelo Partido Socialista? O que interessava mesmo era derrotar a direita, e se assim foi obtiveram uma maioria de votos de protesto, sendo a divisão destes votos pelos 3 partidos apenas aleatória.

Corremos o risco de termos o Partido Socialista no governo, sem ganhar as eleições, com o apoio de dois partidos que não querem ser governo, podendo a minha livre interpretação deste facto levar a adaptar uma frase romana com muitos séculos:

“Lá para os lados do Parlamento há dois partidos que não governam nem se deixam governar”

Nuno Catita

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10/11 às 22:38

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