Praça Stephens

Pensamentos

" O primeiro dever da inteligência é desconfiar dela mesma. "

(Einstein)


Esboço Histórico
Amieirinha
Situada 3 Km a sul da Vila, na estrada Marinha Grande - Nazaré. Desconhecemos a origem do seu nome.
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Amieira
Do seu nome pouco se sabe. Não foram até agora encontrados quaisquer documentos escritos sobre a sua origem mas, segundo os mais antigos ter-se-à ficado a dever ao facto de nesta zona e desde sempre se ter desenvolvimento o Amieiro, planta da família das betuláceas, própria das regiões temperadas e húmidas.
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Albergaria e Fagundo
Albergaria é um lugar da Freguesia de Marinha Grande, limitado a Norte pela Freguesia da Barosa, a Este pelo lugar da Pedrulheira, a Sul pela Embra e a Oeste pelo Pêro Neto.
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Onde estamos - Descrição Geográfica
Onde estamos   -   Descrição Geográfica

A MARINHA GRANDE está situada no limite Norte da província da Estremadura, mais ou menos no centro do Distrito de Leiria, a 10 km do mar, a 147 km de Lisboa e a 169 km do Porto.

Está implantada numa extensa planície de chão arenoso e saibrento rodeado por imensas mantas de pinheiros entre os quais se conta o majestoso Pinhal do Rei D. Dinis, também conhecido por Pinhal de Leiria.

O concelho, que tem uma área aproximada de 18.700 hectares e é coberto em cerca de dois terços por esse imenso pinhal, tem três freguesias:  Marinha Grande, Moita  e Vieira de Leiria.

Tem uma população residente de cerca 34 000 habitantes, mas na sua indústria empregam-se também milhares de pessoas residentes nas freguesias limítrofes, que aqui labutam diariamente.

 

ONDE SE SITUA ?   ONDE FICA?

A  LOCALIZAÇÃO  DA   MARINHA   GRANDE

                  

A MARINHA GRANDE é uma cidade de PORTUGAL. PORTUGAL situa-se na extremidade sudoeste (SW) da Europa e da Península Ibérica. Apresenta uma extensa fronteira marítima - 848 km - a oeste e a sul . A fronteira terrestre - 1200 km. - faz-se com a Espanha a norte e a este. Em termos de localização absoluta, PORTUGAL localiza-se entre os paralelos de 37º e 42º N e entre os semimeridianos de 6º e 9º W.

   

O Concelho da MARINHA GRANDE situa-se no litoral da Região centro de Portugal, numa zona que integra um conjunto de núcleos urbanos bastante dinâmico,  como sejam Leiria,  Pombal,  Batalha e Alcobaça,  agregando cerca de 300.000 mil habitantes. 

  

A MARINHA GRANDE está situada no extremo norte da Estremadura e no Distrito de Leiria numa planície a 89 metros de altitude e cercada por um horizonte de pinheiros.

   

A Cidade de MARINHA GRANDE dispõe de várias infraestruturas ao serviço da população.

Visite-a e descubra o quanto ela tem para lhe oferecer.                              

 
Alguns Textos

Alguns Textos  

Junta da Freguesia  

A  freguesia foi autonomizada no ano de 1600, pelo bispo D. Pedro de Castilho.

Desconhece-se quem teriam sido os presidentes até ao ano de 1905. Julga-se, no entanto, que esse lugar teria sido desempenhado pelos párocos.

Entre este último ano (1905) e os nossos dias - salvo o período de 4 de Outubro de 1917 a 17 de Novembro de 1926, de que não existem livros de actas nem apontamentos (consta que esses livros arderam num incêndio havido nos Paços do Conselho em 25 de janeiro de 1934) – a Junta de Freguesia teve como presidentes: 

  • - de 1905 até 30 de Novembro de 1910: padre Manuel Jorge Marçal
  • - de 1 de Novembro de 1910 a 31 de Dezembro de 1911: José Pires de Albuquerque(a)
  • - de 2 de Janeiro de 1912 a 16 de Abril de 1913: José Simplício de S. Virgolino
  • - de 7 de Maio de 1913 a 1 de Outubro de 1913: Júlio Carlos Etur
  • - de 2 de Outubro de 1913 a 31 de Dezembro de 1913: Joaquim Augusto, F. Morais
  • - de 2 de Janeiro de 1914 a 3 de Outubro de 1917: Afonso Guerra Pedrosa
  • - de 4 de Outubro de 1917 a 17 de Novembro de 1926: desconhecidos
  • - de 18 de Novembro de 1926 a 11 de Maio de 1930: António Pereira Roldão
  • - de 28 de Novembro de 1930 a 3 de Abril de 1932: Januário Martins
  • - de 4 de Abril de 1932 a 26 de Maio de 1933: José de Jesus e Silva
  • - de 27 de Maio de 1933 a 2 de Novembro de 1955: Januário Martins(b)
  • - de 3 de Novembro de 1955 a 1960: António Dinis Baroseiro Júnior(c)
  • - de 1961 a 1970: Alfredo dos Santos Marques(c)
  • - de 1971 a Maio de 11, de Maio de 1974: Manuel Domingues Marques (c)
  • - de Maio de 1974 a Abril de 1976: António Soares Pinto(d)
  • - de 26 de Abril de 1976 a 22 de Março de 1979: Manuel Alves Cruz(e)
  • -  de 24 de Março de 1979 a 31 de Dezembro de 1979: José Reinaldo Alves Vicente(f)
  • - de 1 de janeiro de 1980 a 30 de Maio de 1983: José Marques Duarte(g)
  • - a partir de 1 de junho de 1983: Armando Manuel Lopes
  • - a partir de 15 de Dezembro de 1985: Armando Manuel Lopes

NOTAS

(a)   Eleito pelo povo democraticamente, como todos os restantes até 1926. A partir daí foram escolhidos pelo presidente da Câmara.

(b)   Foi presidente durante 22 anos.

(c)    Não se indicam com precisão as datas por não existirem elementos.

(d)   Eleita em plenário popular no dia 8 de Maio de 1974, no pavilhão da Embra. Nesse plenário foram também eleitos o secretário (Manuel Rosa Brandão) e o tesoureiro (José Miranda Júnior).

(e)   Primeiro presidente eleito por sufrágio universal e secreto (eleições de 12 de Dezembro de 1976) em representação de um grupo de cidadãos. Venceu por 42.6% de votos.

(f)      Exerceu a presidência devido ao falecimento do presidente anterior e por ser o segundo da lista mais votada.

(g)   Eleito em 16 de Dezembro de 1979 para o primeiro mandato e em 12 de Fevereiro de 1982 para o segundo mandato. Em ambos representou a APU, vencendo por 48.9% e 49.1%, respectivamente. Renunciou, por doença, em 30 de Maio de 1983, pelo que foi substituído pelo segundo concorrente mais votado, também da APU, Armando Manuel Lopes.

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Assembleia da Freguesia  

Este órgão autárquico, estabelecido pela Constituição Portuguesa após o 25 de 1974, tem sido dirigido pelos seguintes presidentes: 

  • - Luís Maria Gaspar  (eleito em Dezembro de 1976, pelo PS)
  • - Joaquim de J. Saraiva Fonseca (eleito em 16 de Dezembro de 1979, pela APU)
  • - Mário Jorge de Oliveira (eleito em 12 de Dezembro de 1982 e em 15 de   Dezembro de 1985, pela APU).
Câmara Municipal  

Finalmente, em Janeiro de 1917, por proposta do deputado Magalhães Godinho, foi aprovada no Congresso da República a restauração do concelho. No Diário do Governo de 20 de Janeiro de 1917, I série, n.º 11, vem publicada a Lei n.º 644, do seguinte teor:

"Em nome da Nação, o Congresso da República decreta e eu promulgo, a Lei seguinte:

Artigo 1º - É restaurado o antigo concelho da Marinha Grande, com sede naquela Vila, e constituído por esta freguesia e pela da Vieira que, portanto, fica desanexada do concelho de Leiria.

Artigo 2º - Dos encargos que a Câmara Municipal de Leiria tem para com a Companhia Geral de Crédito Predial Português e Caixa Geral de Depósitos e instituições de Previdência, fica a cargo do novo concelho da Marinha Grande uma parte proporcional ao rendimento colectável da paróquia desanexada.

Artigo 3º - Cessam desde já as funções dos cidadãos das duas paróquias que pertençam à Câmara Municipal ou Junta Geral de Leiria, e o Governo, pelo Ministério do Interior, designará o dia para, nos dois referidos concelhos, se proceder à eleição da Câmara Municipal e Procurador à junta Geral.

Artigo 4º - Fica revogada a legislação em contrário.

Os ministros do Interior e das Finanças afaçam imprimir, publicar e correr

Paços do Governo da República, 25 de Janeiro de 1917 - Bernardino Machado - Brás Mouzinho de Albuquerque - Afonso Costa."

Em 26 de Março de 1917 o Governador Civil de Leiria nomeou a Comissão Instaladora, composta por José dos Santos Barosa (presidente), José Simplício de Sousa Virgolino, Joaquim Matias Sobrinho, Ilídio Duarte de Carvalho e Joaquim Gouveia Pedrosa (vogais). Para assistir o acto, aguardando as autoridades que vinham de Leiria, estavam no largo fronteiro à sede da junta milhares de pessoas da Marinha Grande e da Vieira, banda de música e todos os membros da junta (na altura presidida por Afonso Guerra Pedrosa). À chegada da comissão estrelejaram. os foguetes, a música tocou o hino nacional e a multidão vitoriou os membros do governo, da comissão e o novo concelho. 0 presidente da Junta logo pôs à disposição o edifício desta para nele funcionar a futura Câmara Municipal. Ficou também assente que o dia oficial para a restauração do concelho seria o de 26 de Março de 1917, que também passaria a ser feriado municipal.

A comissão instaladora procedeu à instalação da Câmara no edifício referido e nomeou os primeiros funcionários, a título interino: chefe da secretaria, Jaime de Almeida Coutinho; amanuense José da Silva Barosa; contínuo, zelador, pregoeiro e cobrador de terrado, José Dinis Pereira; aferidor, Álvaro Pereira Franco; tesoureiro, José de Sousa. Também procedeu à instalação do primeiro posto da Guarda Nacional Republicana, em 21 de Maio de 1917, num prédio de Manuel da Silva, situado próximo à Rua da Restauração (hoje fazendo parte da Fábrica de Vidro Neutro).

Os primeiros órgãos municipais eleitos tomaram posse em 8 de Outubro do mesmo ano. Logo de manhã, juntou-se praticamente todo o povo,  acompanhado pelos políticos mais destacados da terra e por duas bandas de música, à entrada da Vila (junto à creche Pereira Crespo, hoje junta de Freguesia), para aguardarem os convidados: representantes do presidente do Ministério, do ministro do Fomento e do Governador Civil de Leiria, senadores e deputados, o presidente da Câmara de Leiria, vereadores, jornalistas, etc..

Foram empossados como membros da primeira Comissão Executiva (eleita por escrutínio secreto dentre a vereação eleita directamente pelos munícipes) José SimplÍcio de Sousa Virgolino (presidente), Joaquim Augusto Ferreira de Morais (vice-presidente), Dionísio Augusto da Mota (secretário), Joaquim Gouveia Pedrosa (vice-secretário) e Alfredo Luiz Fèteira (vogal).

A partir de 1917, dirigiram as várias Câmaras, Comissões Administrativas ou Comissões Executivas os seguintes presidentes (indicam-se as datas de início de exercício):

  • - 08 de Dezembro de 1917: José Simplício de Sousa Virgolino
  • - 12 de Janeiro de 1918: IIídio Duarte de Carvalho
  • - 11 de Setembro de 1918: José Ferreira Custódio Júnior
  • - 20 de Dezembro de 1918: João da Silva e Sousa
  • - 05 de Abril de 1919: Joaquim Augusto Ferreira de Morais
  • - 02 de Agosto de 1920: Joaquim Morais Matias
  • - 02 de Janeiro de 1923: José de Sousa Neto
  • - 02 de Janeiro de 1926: Joaquim Augusto Ferreira de Morais
  • - 21 de Julho de 1926: Joaquim Ferreira Domingues
  • - 20 de Janeiro de 1928: António de Paula Brito
  • - 14 de Junho de 1928: Dionísio Augusto da Mota
  • - 25 de Maio de 1929: José Matias Ferreira
  • - 13 de Dezembro de 1929: Isidro Couceiro Neto
  • - 19 de Março de 1930: Domingues Silvestre Ferreira
  • - 02 de Novembro de 1931: António Matias
  • - 22 de Março de 1932: Isidro Couceiro Neto
  • - 27 de Abril de 1933: Domingos Silvestre Ferreira
  • - 29 de Maio de 1935: José Guilherme Roldão
  • - 13 de Maio de 1941: Dr. Adolfo Laborinho Cardoso
  • - 27 de Março de 1945: Dr. Luís dos Santos Lopes
  • - 13 de Novembro de 1952: Victor Manuel Amaro S. Santos Gallo
  • - 25 de Abril de 1960: Manuel Afonso T. Morais S. Barosa
  • - 14 de Setembro de 1964: Adriano Marques Roldão(a)
  • - 24 de Maio de 1974: António Afonso dos Santos Barata(b)
  • - 26 de Agosto de 1975: Francisco Vareda de Jesus Pedroso(c)
  • - 05 de Janeiro de Í 977: Dr. Artur Neto Barros(d)
  • - 02 de Janeiro de 1980: João Barros Duarte(e)
  • - 05 de janeiro de 1983: Emílio Ferreira Rato(f)

 NOTAS

(a)   último presidente do regime salazarista - marcelista.

(b)   Eleito após a revolução de 25 de Abril de 1974, em plenário da população realizado em 8 de Maio de 1974, por proposta da CDE. No mesmo plenário foram também eleitos os seguintes vereadores: Américo dos Santos Catita, José Manuel Ferreira Barroca, Francisco Vareda de Jesus Pedroso, José Duarte Bizarro, Manuel Lopes, Joaquim de J. Saraiva Fonseca, Teodósio Pedrosa, Júlio Paiva Dinis Mouco, Aguinaldo Estrada Santos, Virgílio 0. Lemos, Francisco Veríssimo Duarte e Artur Pereira de Oliveira. Entretanto, renunciaram aos cargos Américo dos Santos Catita, Manuel Lopes, Joaquim de J. Saraiva Fonseca e Júlio Paiva Mouco, tendo o delegado da Junta de Salvação Nacional (um oficial do Exército) sancionado os restantes. Devido aos muitos afazeres da Comissão Administrativa foi criado o lugar de vice-presidente, para o qual foi escolhido o vereador Francisco Vareda de Jesus Pedroso.

(c)   Escolhido por renúncia do anterior presidente, António Afonso Barata.

(d)   0 primeiro presidente da Câmara, eleito por sufrágio universal e secreto após o 25 de Abril de 1974 (nas eleições de 12 de Dezembro de 1976). Representando o Partido Socialista, venceu com 43.61 % dos votos.

(e)   Eleito em 16 de Dezembro de 1979, em representação da APU, com 46,3% dos votos.

(f)     Eleito nos dois últimos mandatos, sucessivamente em 12 de Dezembro de 1982 (com 47.9%) e em 15 de Dezembro de 1985 (com 51,9% dos votos), sempre em representação da APU.

 Assembleia Municipal  

Este Órgão autárquico, que veio substituir o antigo Senado Municipal, começou a funcionar após as eleições de 12 de Dezembro de 1976, em obediência a nova Constituição Portuguesa do pós-25 de Abril de 1974. 
Tem sido dirigido pelos seguintes presidentes: 
- após as eleições de 12 de Dezembro de 1976, Francisco Vareda de Jesus Pedroso; 
- após as eleições de 16 de Dezembro de 1979, Dr. Osvaldo Alberto Sarmento e Castro; 
- após as eleições de 12 de Dezembro de 1982, idem; 
- após as eleições de 15 de Dezembro de 1985, idem. 
Francisco Vareda de J. Pedroso foi eleito em representação de um grupo de cidadãos; o Dr. Osvaldo Castro representou sempre a APU. 
A actual mesa da Assembleia Municipal é composta por: presidente, Dr. Osvaldo Alberto S. Castro; primeiro secretário, José Duarte Bizarro; segunda secretário, Maria Estrela Melchior Dinis Mouco. 

 Toponímia  

Foi no ano de 1900 que pela primeira vez se atribuíram oficialmente nomes as principais ruas da Vila. Segundo se lê nos Anais do município de Leiria, de João Cabral, foi o vereador José dos Santos Barosa quem propôs atribuir os seguintes nomes: Praça Stephens - Rua Marquês de Pombal - Rua Warnhagen - Rua D. Amélia - Travessa de Bernardino José Gomes - Rua Bernardino Barros Gomes - Rua Luciano Migueis - Rua do Rosário - Rua Melo Gouveia - Beco dos Suspiros - Rua do Bairro Novo - Beco do Cosme - Rua Pedro Viana - Largo do Albuquerque - Largo N. Senhora do Rosário - Rua da Alegria - Largo D. Dinis - Rua João de Sousa - Travessa do Cotovelo - Rua do Montepio - Beco das Gaeiras - Rua da Rosa - Largo do Lezeirão - Rua da Restauração - Av. Elvino de Brito - Av. Conde de Azarujinha - Av. Taibner de Morais - Rua da Mãe d'Água - Rua da Esperança - Rua da Fonte Nova - Rua das Flores e Rua da Central. 
A maioria destes topónimos ainda se mantém, tendo outros sido alterados, nem sempre por razões bem fundamentadas. 
Em 17 de Março de 1910 a R. da Tipografia passou a R. Alexandre Herculano. Em 1 de Março de 1928 o Largo da Fonte passou a Largo Ilídio de Carvalho. Em 12 de Março de 1923 o Largo do Lezeirão passou a Largo Gago Coutinho e Sacadura Cabral. Em 8 de Outubro de 1975 foram retirados da toponímia alguns nomes consagrados da vida marinhense, como Dr. Manuel Francisco Alves, Conde de Azarujinha e Warnhagen, a quem a Marinha Grande muito deve do seu desenvolvimento; as artérias que tinham estes topónimos passaram a chamar-se, respectivamente, R.18 de Janeiro de 1934, Av. José Gregório e Av.1° de Maio. Também foram atribuídos novos nomes ao parque Heróis do Ultramar, que passou a Parque Mártires do Colonialismo, a R. Rafael Duque, hoje R. 25 de Abril e a R. Fundo Industrial Vidreiro, que passou a R. António Lopes de Almeida.

condensado de: Cidade de Marinha Grande - Subsídios para a sua História
autoria de: João Rosa Azambuja
edição de Pelouro da Cultura da Câmara Municipal da Marinha Grande
edição integrada nas Comemorações dos 250 anos da Indústria do Vidro
data de edição - Dezembro de 1998
 

 Para Cima...

 
Curiosidades
Curiosidades

Bandeira Municipal

Foi desenhada pelo marinhense João de Magalhães Júnior, logo após a restauração do concelho. 
É esquartelada de amarelo e negro. Cordões e borlas de ouro e negro. Haste e lança douradas. 
As armas são vermelhas, com um pinheiro de ouro freitado de verde, sustido de negro, sainte de um contra-chefe de dunas de areias de prata. Listel branco com os dizeres, a negro: "Vila da Marinha Grande".

Hino do concelho

Criado em 7 de Abril de 1932 pelo maestro António Augusto Lopes, foi tocado pela primeira vez em público aquando das comemorações do 15º aniversário da restauração do concelho.

 

Orçamento camarário

Por curiosidade, e para se avaliar a evolução do concelho da Marinha Grande nos últimos 70 anos, sabe-se que em 1917 (ano da restauração do concelho) o orçamento camarário foi de 8 616 réis e que em 1987 atingiu a enorme verba de 1 072 565 contos.

 

Visitas régias

Aos 17 de Outubro de 1786 toda a família real veio visitar a Marinha: a D. Maria I, segundo relata o padre Manuel da Costa Barros no livro do registo paroquial, jantou com Guilherme Stephens, que fez toda a despesa com muita generosidade. De tal maneira que as sobras foram distribuídas pelos pobres, que durante uma semana tiveram pão e carne em abundância. 
- Em 27 de Maio de 1852 esteve na Marinha a rainha D. Maria II, acompanhada pelo seu marido, D. Fernando, e pelos seus filhos, D. Pedro e D. Luiz. Transportaram-nos em liteiras por caminhos de terra batida. 
- Em 21 de Agosto de 1892 visita a Marinha Grande o rei D. Carlos, acompanhado pela rainha, pelo infante D. Afonso e por grande séquito. Vieram de comboio. À rainha foi oferecida uma garrafa de seis vinhos, trabalho primoroso de Severiano Matias, e também uma garrafa de toilette, acabada de fazer por Joaquim de Oliveira. Ao príncipe foi oferecido um copo para água, gravado por João José de Magalhães com a Torre de Belém. Escreveu o rei no livro da Fábrica: 

"Os nossos sinceros parabéns aos empresários, directores e operários desta importante Fábrica, pelo estado de desenvolvimento da sua indústria, e ao mesmo tempo os meus cordiais agradecimentos pela espontânea e tão agradável recepção que aqui acabamos de ter

O rei visitou de seguida a Resinagem, que muito admirou. A guarda de honra foi feita por guardas florestais e actuaram várias bandas de música. 
- Em 1899 o príncipe Luís Filipe visitou a Marinha, recebendo uma espada em vidro, feita por José Morais Matias. 

 

Comemorações do fim da Guerra 1939-1945 

No dia 7 de Maio de 1945 a Marinha Grande comemorou o final da guerra de forma invulgar. 
Na Embra formou-se um grandioso cortejo, em que se incorporaram milhares de pessoas. Toda a gente largou o trabalho pela tardinha para poder participar. 0 cortejo era precedido por uma banda, que tocava o Hino da Maria da Fonte, por retratos de Churchill, Rooseveit, Estaline e pelas bandeiras dos países aliados. 
Pelo trajecto, até à Praça Stephens, reuniram-se milhares de pessoas que vitoriavam os heróis e davam vivas à liberdade, à paz e a Portugal. 

 

Descanso semanal  

Em 3 de Agosto de 1907 o governo de João Franco publicou um decreto que dizia:"0 dia destinado ao descanso semanal é o domingo". No entanto, esse decreto, no parágrafo 3', deixava uma porta aberta para que os municípios pudessem escolher outro dia. 
Assim, a Marinha Grande optou pela quinta-feira, o que ficou estabelecido em 22 de Fevereiro de 1911. Antes, a Câmara Municipal de Leiria queria que fosse à quarta-feira." 
Só em 1 de Janeiro de 1940 se estabeleceu o descanso dominical. 

 

Teares  

Em 1849 existiam na Marinha Grande 16 teares de linho. 

 

Maiores proprietários  

Dos 40 maiores proprietários do concelho de Leiria em 1852, três eram da Marinha Grande: Francisco Taibner de Morais, Félix Baptista Vieira e José Domingues, da Garcia. 

 

Apanha da azeitona   

Já em 1855 saíam da Marinha Grande, para apanhar azeitona, 88 pessoas, e da Vieira 8 (indicação colhida em Leiria no século XIX, de Joaquim de Oliveira da Silva Bernardes). 

 

Sociedade Vinícola Marinhense, Lda.    

Fundada em 16 de Abril de 1934, na Marinha Grande, por Mariano Pereira Henriques e Raul dos Santos Tovim, com o objectivo de exercer o negócio da compra e venda de vinhos e seus derivados. 
Iniciou-se pela montagem de um grande armazém, situado na actual Av. 1º de Maio, num prédio arrendado a Jacinto Teodósio Pereira, de Vieira de Leiria. 

 

Curiosidades do Pinhal    

A vida média de um pinheiro é de 80 anos.
 


O lugar mais alto do Pinhal é o Alto dos Picotos, ou Picotes, cerca de 114 metros acima do nível do mar.
 


Embora hoje em dia poucas espécies cinegéticas existam no Pinhal (somente alguns coelhos, lebres, rolas e perdizes), a sua fauna foi, em tempos, riquíssima. Chegaram a existir veados, lançados perto da Ponte Nova em 1855 e que fizeram muito boa reprodução, mas foram destruídos pelos humanos. 0 último javali foi morto, segundo consta, em 1848. Houve também lobos, ginetas, texugos, doninhas, perdizes (ainda há poucos anos se tentou o repovoamento do Casal da Lebre com essas aves). Também em 1936 se tentou reprovar o Pinhal com pavões, faisões, pintadas, pombos bravos, etc. Do resultado dessas experiências nada sabemos. 
 


Foi Foi no Pinhal que, durante as Invasões Francesas, os povos residentes nas proximidades esconderam ou enterraram os seus valores, principalmente moedas, objectos de ouro, prata, etc.. Diz-se ainda hoje que chegaram a ser transportados para o Pinhal, pelos ourives, burros carregados com ouro, que aí teria sido enterrado. Muitos desses valores teriam sido mais tarde retirados, mas outros permaneceram, ou porque os seus donos morressem ou porque lhes perdessem o poiso. 
0 eng.º Arala Pinto diz, no seu livro 0 Pinhal do Rei, que foram encontrados pelo pessoal das Matas alguns desses objectos, durante a sua direcção. Diz também que era frequente notarem-se terras revolvidas, durante a noite, por alguém que procurava esses tesouros.

 

condensado de: Cidade de Marinha Grande - Subsídios para a sua História
autoria de: João Rosa Azambuja
edição de Pelouro da Cultura da Câmara Municipal da Marinha Grande
edição integrada nas Comemorações dos 250 anos da Indústria do Vidro
data de edição - Dezembro de 1998
 
Apontamentos
Actividades Económicas
  • Real Fábrica de Vidros (até ao século XX);

  • Nacional Fábrica de Vidros (inícios do século XX);

  • Fábrica - Escola Irmãos Stephens (a partir de 4 de Outubro de 1954 até ao seu encerramento definitivo, em 1992).  

Em 1748 o irlandês John Beare transfere a sua fábrica, de Coina, para a Marinha Grande, de forma a ficar próximo dos pinhais nacionais. Seis anos mais tarde a fábrica encerra.

É em 1769, no reinado de D. José 1, que o inglês Guilherme Stephens, com a ajuda de Sebastião José de Carvalho e Melo, Marquês de Pombal - que lhe concede um empréstimo no valor de 32:000 000 réis (32 contos / 159,62 euros) sem juros, bem como a utilização gratuita da lenha do Pinhal do Rei - funda a Real Fábrica de Vidros.Fachada Principal da Real Fábrica de Vidros

A Real Fábrica de Vidros, juntamente com o Pinhal do Rei, foram os principais motores impulsionadores do desenvolvimento económico, demográfico e social da Marinha Grande.

Os primeiros estudos para a fundação da fábrica por Guilherme Stephens foram em Vieira de Leiria, no entanto, a população vieirense opôs-se e o inglês resolveu fundá-la na Marinha Grande, no lugar da anterior fábrica. O início da laboração deu-se em 16 de Outubro de 1769, produzindo vidraça e, dois anos mais tarde, cristal.

Guilherme Stephens foi um verdadeiro "pai" dos seus trabalhadores, preocupando-se, sobretudo, com a sua educação. Recrutou mestres para lhes ensinarem as primeiras letras, para lhes darem aulas de desenho e de música. Construiu-lhes também o teatro Stephens, onde estes representaram uma peça de Voltaire em francês!!! Tudo com o objectivo de lhes incutir um "modelo de bons costumes, de disciplina e de solidariedade" (Barosa, 1993:47).

O fundador da Real Fábrica de Vidros morre em 1802, em Londres. Sucede-lhe o seu irmão João Diogo Stephens até 1826. Após a sua morte, a fábrica é doada ao Estado, atravessando, a partir desta altura, períodos muito conturbados, com greves e conflitos entre trabalhadores e patrões. A título de exemplo, as crises de 1859, 1905, 1908, 1917, 1929.

A crise de Maio de 1908 fez com que a população marinhense , num acto de desespero, marchasse a pé até Leiria, acampando durante dez dias junto do Governo Civil para que lhes fosse encontrada uma solução de forma a aliviar o seu sofrimento. O Governo Civil acabou por lhes dar dinheiro e trabalho nas sementeiras do Pinhal, bem como na abertura da estrada Marinha Grande -  Nazaré, a britar pedra.

O mesmo tinha sucedido no ano de 1859, forçando o Governo a determinar a ocupação dos operários na construção do caminho para o porto de S. Martinho.

No dia 12 de Maio de 1917 a Nacional Fábrica de Vidros suspendeu a laboração durante três meses.

Em 1929 assistimos novamente a uma crise videira, atirando os trabalhadores para a construção de duas estradas: a que vai de S. Pedro de Moel ao talhão 98 e da Ponte Nova ao Canto Ribeiro.

No dia 6 de Julho de 1937, a Marinha Grande recebeu uma visita das colónias. Chegados à Praça Stephens, foram visitar a Nacional Fábrica de Vidros.

É de notar o contributo fundamental que o Engenheiro Acácio Calazans Duarte deu para recuperar a situação precária que a fábrica atravessava. Foi seu director técnico e administrador de 27 de Junho de 1924 até 1966. Além disso, contribuiu para edificar o novo teatro Stephens, fundou uma escola primária que funcionava num dos anexos da fábrica e incentivou a construção de uma Escola industrial. Fachada Principal da Nacional Fábrica de Vidros (início da década de 40)

No dia 24 de Agosto de 1941 foi homenageado o fundador da Real Fábrica de Vidros, através da colocação do seu busto na Praça Stephens, oferecida pelos empregados e operários da Nacional Fábrica de Vidros.

A Fábrica Nacional de Vidros a partir de 4 de Outubro de 1954 passa a designar-se de Fábrica - Escola Irmãos Stephens (FEIS).

Em 1969 comemorou-se o II Centenário da FEIS (1769/1969). No dia 14 de Fevereiro de 1970, a Marinha Grande recebeu o Presidente da República, o Almirante Américo Tomás, que veio inaugurar as novas instalações da FEIS, no encerramento das comemorações do segundo centenário.

Após intensas lutas contra o encerramento da fábrica, esta acaba por fechar definitivamente em Maio de 1992. Em 1993 foi adquirida a parte fabril pelo industrial Jorgen Mortensen.

Em 1994, por proposta da Câmara Municipal, foi celebrado um protocolo de comodato com o Estado (detentor do património histórico e cultural edificado), no sentido de à administração municipal ser entregue todo o património edificado, a fim de nele se instalar um conjunto de equipamentos culturais.

No antigo palácio dos Stephens surge então o Museu do VidrAntigo Palácio Stephens - actual Museu do Vidroo, inaugurado no dia 13 de Dezembro de 1998, com a presença do Sr. Presidente da República, Dr. Jorge Sampaio. Desde 1991, nas antigas instalações da FEIS, funciona a Escola Profissional e Artística da Marinha Grande (EPAMG) e no antigo edifício da Administração encontra-se a Biblioteca Municipal.  

Em 1998 foram comemorados os 250 anos da indústria da Marinha Grande  (1748 - 1998 ). No âmbito da comemoração foi lançado, no dia 16 de Junho de 1998, uma medalha de bronze com a efígie de John Beare - introdutor da indústria vidreira na Marinha Grande - e cenas de uma obragem vidreira.

 

  • Edifício da Resinagem

 

A indústria de produtos resinosos em Portugal teve origem no Pinhal do Rei, nos ensaios levados a cabo por Manuel Afonso da Costa Barros e, mais tarde, pelo professor de química, Sebastião Betamio de Almeida e Bernardino José Gomes.

O professor Sebastião Betamio de Almeida foi quem incentivou Bernardino José Gomes, empregado da administração das matas, a prosseguir as experiências no que dizia respeito à extracção da resina e no qual ele apresentou resultados bastante positivos.

Em 1859, Bernardino José Gomes é autorizado a erigir um edifício com o objectivo de nele instalar a fábrica de resinagem. Os materiais utilizados para a sua construção, como a pedra e a cal, vinham da Martingança, conduzidos pelo comboio americano. O edifício, com 4250 m2 , foi construído em terrenos onde a Real Fábrica de Vidros teve, em tempos, um armazém.

Em 1872 é aprovado o orçamento para terminar as obras do edifício da resinagem. São adquiridos os terrenos e casas anexas, construindo-se muros para vedar a área e isola-se totalmente o edifício dos prédios vizinhos.

Fachada principal do edifício da resinagem (início século XX)

No recinto interior do edifício existiu um depósito e purificação de resinas, bem como um grande lago e um jardim .

A sua fachada era iluminada em noites festivas, onde se realizavam bailes e, mais tarde, sessões de cinema.

Sobre o edifício existiu ainda um grande depósito de água, alimentado por um poço artesiano, para a extinção de incêndios, com duas bocas de incêndio, em frente do edifício.

Interior do Edifício da Resinagem

Instalaram-se no edifício da resinagem, os bombeiros (em 1900), a Cruz Vermelha (em 1925), a Guarda Republicana (em 1918), a Central Eléctrica (em 1924) e a Legião Portuguesa .(em 1939).

No dia 28 de Janeiro de 1941, a população recebeu uma notícia que a deixou radiante: a Câmara Municipal da Marinha Grande tinha adquirido o edifício da resinagem e preparava-se para instalar o mercado municipal, cuja inauguração se realizou no dia 3 de Maio de 1942. Até esta altura o mercado realizava-se em plena rua, ao sol, à chuva e ao vento, como no período medieval, tal como nos conta o Engenheiro Arala Pinto, na sua obra "Pinhal do Rei". 

 

  • Loja de Heliodoro Salgado - actual "Loja das Sementes"

 

A  loja de Heliodoro Salgado esteve situada na Rua do Mercado, actual Rua Joaquim Carvalho de Oliveira, num edfício de 1º. andar, onde funciona hoje a loja conhecida como "Loja das Sementes". 

Actual Rua Joaquim Carvalho de Oliveira (início sec. XX)

 

 

condensado de: Imagens do Século XX do Concelho da Marinha Grande
autoria de Patrícia Alexandra Balbino Grilo
edição de Pelouro da Cultura da Câmara Municipal da Marinha Grande
edição integrada no âmbito da exposição intitulada: «100 Anos de Fotografia do Concelho da Marinha Grande»
data de edição - Outubro 2001

 Para Cima...

Datas Históricas

 21 de Agosto de 1892

Que dia de sol abrasador! As cigarras, no cimo dos pinheiros, faziam uma "algazarra" dos diabos. O rapazio pelo caminho da Estação esbaforeava e algumas mulheres, mais curiosas, com os filhos ao colo, descansavam pelas sombras das árvores.

Aguardavam-se visitas de fina estirpe e todos queriam ver de perto o Rei e a Rainha. Estavam para chegar no comboio, dizia o povo, em alarido de festa. Eram a0 e 30. Na Nacional Fábrica ia grande azáfama. Os operários de fatos novos, estavam nos seus postos prontos a mostrar aos gentis visitantes, a grandeza da sua profissão. À entrada da fábrica, a banda perfilada, aguardava o sinal do mestre para atacar. Rapsódia estudada. Havia flores e bandeiras. Burburinho do povo que se juntava, no largo fronteiro, sob o sol que já abrasava. Já tinham passado, há muitos os trens das Matas florestais, brilhantes como um sonho de fadas, puxados por parelhas de cavalos, mais limpos e asseados do muitos assistentes. A vozeada do povo era ensurdecedora e o delírio de entusiasmo, contaminava aquela gente ávida e hospitaleira.

Há, distância, ouviu-se um silvo agudo. A multidão fez silêncio. Eram, precisamente, 10 e 45. O comboio tinha chegado à Estação.

A  Família Real e a sua comitiva tomaram os lugares nos trens, postos à disposição e seguiram em cortejo, para a Nacional Fábrica, onde os aguardava muito povo. Percorreram as instalações da Fábrica, na companhia do Conde Azarujinha e dos principais artífices, evidenciando muita curiosidade e sempre interessados na descrição do fabrico das peças de cristal. A seguir foram visitar a Fábrica de Resinagem, acompanhados do Director José Pires de Albuquerque, que lhes mostrou as instalações e explicou as formas do fabrico dos sucedâneos da resina. Voltando à Nacional Fábrica, foi-lhe servido nos aposentos do Palácio, um lanto banquete, servido na baixela riquíssima, usada quando da visita de D. Maria II, em Maio de 1852, e que é pertença da Fábrica.

A comitiva visitante era constituída por El-Rei D. Carlos I, D. Amélia, o Infante D. Afonso, Ministro das Obras Públicas e seu secretário, dignatários da Corte de serviço, conselheiros e deputados, e o hábil caricaturista Rafael Bordalo Pinheiro.

Depois do repasto, apresentou-se uma Comissão composta por José Ferreira Custódio Júnior, Gervásio Silva Neto, Conselheiro Taybner de Morais, que agradeceram a visita e apresentaram as conveniências da Marinha Grande de ver restabelecido o seu antigo concelho, criado por certa lei de 6 de Novembro de 1836. A pretensão, aliás, o desejo de todos os marinhenses, apenas se viria a concretizar passados vinte e cinco anos, da visita do Rei, propriamente, em Março de 1917.

Contudo dias depois, elevou a Marinha Grande à categoria de Vila e agraciou com a Comenda de Cavaleiro da Ordem Militar, de Nosso Senhor Jesus Cristo, pelo seu mérito artístico: António José de Magalhães Júnior, administrador e técnico da Fábrica; João José de Magalhães, operário florista; Joaquim de Oliveira, operário lapidário; Floriano Trayer, oficial de vidraça, Joaquim Matias Pedrosa e Severiano Matias, oficiais de cristal.

Em 23 de Outubro de 1899, o Príncipe D. Luiz Filipe, acompanhado do Capitão Mouzinho de Albuquerque, também visitou a antiga Fábrica Nacional de Vidros, e na ocasião foi oferecido ao príncipe, uma espada de vidro, artisticamente feita pelo operário José Morais Matias, oficial de cristal.


18 de Janeiro de 1934

Decorria o ano de 1934, quando o levantamento operário fez tremer Salazar e o perturbou seriamente.

Os acontecimentos tiveram o palco principal na Vila Vidreira. Em menos escala, actos semelhantes sucederam-se em diversos locais do País.

De 17 para 18 e durante todo o dia 18 de Janeiro, aconteceram pelo País acções de desespero, tendo havido cortes de linhas telegráficas, descarrilamento de comboios, explosões, assaltos a postos policiais, etc. ..etc..

Contudo foi na Marinha Grande onde o movimento operário teve expressão devido ao facto de maior coesão de trabalhadores.

Desde 1922 que o fascismo se instalou na Itália sobre a bitola de Mussolini, e, internacionalmente, na Alemanha de Hitler, em 1933.


Em Julho de 1932, Salazar toma conta da chefia do Governo e mantém o poder durante muitas décadas, fascizando o País e impondo ao seu maior inimigo - o movimento operário - a grilheta e o silêncio, a privação e a fome.

Promulga em 23 de Setembro de 1933, o Estatuto do Trabalho Nacional e com ele, os Sindicatos Nacionais, os Grémios e as Corporações. Os sindicatos livres, foram encerrados e em 31 de Dezembro de 1933, impedia a liberdade sindical.

Com a crise económica de 1929, crise mundial, suprimem-se as mais elementares liberdades individuais e aumenta-se a repressão e exploração sobre os trabalhadores. O desemprego e a coacção sobre as massas operárias era tão evidente e tão anormal que o 18 de Janeiro surgiu, como promissor e desejado salvador. Foi uma aventura arriscada, mas foram as aventuras que dignificaram os factos mais brilhantes da nossa história.

A classe operária, embora numericamente menor em relação à população activa, sentia a necessidade de lutar contra a fascização dos sindicatos e contra o infeliz Estatuto do Trabalho Nacional. A proporção na luta era descomunal... o desespero não tinha limites.

À data do movimento não existia, infelizmente, uma completa identificação de pontos de vista entre os trabalhadores nacionais, razão pelo fracasso do golpe.  

Forças policiais instaladas na Praça Stephens, na Marinha Grande, no dia 18 de Janeiro de 1934.No entanto, é digno de assinalar, a lição que hoje não devemos esquecer. Não foi uma inglória luta. Ela foi bem evidente e apesar de tingida com sangue e lágrimas dos gloriosos intervenientes, que sofreram na carne as injustiças dos opressores, vincou indelével, o querer, a força e a legitimidade da razão.

O sacrifício e o sofrimento da gloriosa juventude de 1934, não foi destruída de significado. Construíram grandes acções, junto com tantas outras, que acumuladas, minaram o terror fascista, causando-lhe o derrube.

E é ao recordar, hoje, passados muitos anos, que não olvidamos a lição dos operários que lutaram denodadamente por melhores condições de vida.

Com gratidão, assinalamos, a luta dos briosos trabalhadores. Foi um marco na história do operariado, uma estrela que há-de brilhar eternamente. 

 

25 de Janeiro de 1934  "Uma semana depois..."  

Foi, nesta data, há 43 anos, precisamente, uma semana depois do 18 de Janeiro, que um violento incêndio destruiu o velho edifício da Câmara Municipal. As causas do sinistro, segundo os cronistas do época, foram ocasionados por um curto-circuito. Muito se quis especular, mas a razão, verdadeira, foi a motivada pela deteriorado instalação eléctrica. 
Foi um medonho incêndio, atiçado nos papéis do arquivo, situado no sotão. 0 fogo rapidamente lambeu o madeiramento de cerne e destruiu o edifício. 
0 restauro foi feito sobre os antigos alicerces e, imperdoavelmente, os técnicos da obra e os seus directores responsáveis, não verificaram ou não quiseram, por razões desconhecidas, terminar com o afunilamento do Rua Machado Santos, mesmo ali à entrado do Praça Stephens, evitava-se assim o disparate, sem dúvida, uma nódoa tremenda, para o qual não há justificação possível. 
Se o erro já era censurável e se impunha a sua rectificação, agravou-se depois, como naturalmente se compreende... e, foi pena!... cento e tal anos antes já os colaboradores do Marquês de Pombal traçaram as avenidas e ruas de Lisboa com ampla margem, a contar com o futuro. 
A propósito do incêndio no edifício da Câmara, deve realçar-se o mérito dos Bombeiros Voluntários, que no ocasião, tiveram acção de muita valia, evitando que o fogo se propagasse aos prédios vizinhos, conseguindo salvar, de forma exemplar e audaciosa, o recheio e documentos dos repartições instalados no rés do chão e que eram importantes. 
A título de curiosidade, esclarece-se que foi no edifício da Câmara que os Bombeiros locais se exercitavam, em treinos que foram, no época, espectáculos de perícia e habilidade, a que o povo deliciava assistir. 0 edifício possuía varandas com armações de ferro, no primeiro e segundo andar, essa estrutura possibilitava os exercícios de mangueira e escada. 
Impecáveis, no aprumo e educação, os metais dos capacetes e das fardas, exibiam sempre um brilho novo, conseguindo pelo mérito de apresentação, de audácia e ligeireza, nos trabalhos de socorro, elevada consideração, como uma das melhores cooperações do Distrito. 
Sob o comando de Joaquim de Carvalho, a Associação dos Bombeiros, que ao tempo tinha a sua sede aonde hoje se situa a Biblioteca, entre a Praça do Peixe e o Registo Civil, possuía elementos de competente valia, recrutados entre os operários vidreiros, filhos distintos desta gloriosa Vila vidreira. 
Decorreram 43 anos! Muitos já partiram. Parece um sonho esta galopado incrível, em que os anos decorrem velozm
ente... inocente, o homem, julga-se eterno e, afinal, tão efémera é a sua passagem terrena!

 

in: O PÓ CHEIRA A FLÔRES
(Vultos e Sínteses da História de S. Pedro de Moel e Marinha Grande)
"Edmundo Oliveira Orfão"

 

 

 Comunicação Social  

Em 1892 publicava-se na Marinha Grande, o jornal "Autonomia", sob orientação de José Ferreira Custódio. 
Em 1917, surgia o "Marinhense" tendo como Director e Administrador, respectivamente António Augusto dos Santos e António Afonso de Abreu. 
Em 1928, despontou o semanário "Marinha Grande" da responsabilidade de José Duarte de Carvalho e Francisco Correia Moita.
Jornais que apresentavam lisongeiro aspecto e boa colaboração, mas por motivos óbvios, não conseguiram, qualquer deles, atingir a maioridade. 
Páginas de jornalismo regional, de literatura - eu sei lá, meus amigos ! - de quantas páginas de arte estão esquecidas, amarelecidos pelo tempo, ignorados os seus ilustres autores. 
Seguiu-se um interregno, demasiado para as pretensões do povo da gloriosa terra dos Stephens, até que o Reis e o Engenheiro Rafael de Magalhães, descendente de grandes mestres vidreiros, de colaboração com o semanário "Região de Leiria" empreendeu, muito louvávelmente, a publicação de duas páginas dedicados ao concelho. Foi um inestimável empreendimento, pois marcou o aparecimento de novos valores. 
Prosseguiram depois, uns quantos correspondentes, que sucessivamente foram dando vida a essa meritória publicação e para todos foi digno galardão, porque souberam, apesar de muitas contrariedades distinguir essas páginas, onde quantos o desejaram puderam tomar conhecimento das realidades da terra natal e dizer de sua justiça. Empreendimento a todos os títulos louvável. Foi durante algumas décadas o único orgão de informação do concelho. 
Em 1961, por notar um declíneo acentuado nessas páginas e por a Marinha Grande ter jus a um semanário próprio, solicitamos autorização para a publicação de um jornal que intitulávamos "Marinha Grande". 
Não fomos felizes na pretensão. 0 Ministério competente sob a autoridade repressiva do Pide negou-nos o direito, conforme seu despacho "Aguarde melhor oportunidade". Lacónico, indiferente, perverso, como tudo que era ou julgavam vir a ser contrário aos interesses nefastos do fascismo. Entretanto, foi autorizado a publicação do "Jornal da Marinha Grande", sob a direcção de José Martins Pereira da Silva, que a partir dessa época tem mantido a publicação, embora dirigido por diversos redactores. 

 

in: O PÓ CHEIRA A FLÔRES
(Vultos e Sínteses da História de S. Pedro de Moel e Marinha Grande)
"Edmundo Oliveira Orfão"

 

 

Para Cima...

 Junho de 1959  

Foi inaugurado, com músico e foguetes, o novo edifício do Escola Industrial e Comercial da Marinha Grande, situado no velho campo da Feira, onde outrora, no tempo das balizas às costas, se exibiam as velhas glórias do futebol marinhense. 
Agora, no mesmo sítio, ergue-se, portentoso edifício, sentinela arquitectónica, a confirmar que a gloriosa terra dos Stephens, se desenvolve e cresce com aconselhável êxito ... é grato ver "florir" dia a dia a vila vidreira. 
Também fui aluno da velho Escola - oh que belos tempos lá passei! - no meu reinado de menino e cábula. A Escola nos Edifícios da Fábrica Nacional, que existiu, para recordar aos trabalhadores, que a continuação da instrução se iniciava ali, na Praça Stephens, como o desejou e o quis, o venerável Guilherme Stephens. 
Durante alguns anos, sob a regência do Engenheiro Rodrigues, de Calazans Duarte e de Nery Capucho, e de mais uns quantos professores, a Escola foi risonha e franca. 
Com o crescimento do população, o seu espaço diminuiu assustadoramente e as condições de ensino, deixaram de ter significado.
Nasceu então o edifício novo. A festa de inauguração foi uma manifestação sincera, presenciada por milhares de pessoas. A Televisão fez a cobertura e no pequeno écran, surgiu o cenário apoteótico que emoldurou, com raro brilho, a festa da inauguração. Presidiu o Ministro do Educação, o Subsecretário, Directores, o Sr. Bispo de Leiria, o Sr. Victor Gallo, Presidente da Câmara, etc..
Uma nova era, na educação secundária, se iniciava na Marinha Grande. 

 

in: O PÓ CHEIRA A FLÔRES
(Vultos e Sínteses da História de S. Pedro de Moel e Marinha Grande)
"Edmundo Oliveira Orfão"

 

 Obragem de 1915  

A fina flôr de artífices vidreiros que nos princípios do século, designadamente em 1915, formavam no Fábrica Nacional, o quadro distinto de trabalhadores da nobre arte, era assim constituída: 
Praça no 1: Filipe d' Aquino 
Praça no 2: Joaquim Freitas Nobre 
Praça no 3: Adriano Freitas Nobre, Bento Morais, Joaquim Barosa e António Franco. 
Prensa: Luíz da Silva, José Marrazes, António Marques, Artur da Silva, António Possidónio, Luiz Antunes e Firmino Alves. 
Belga: José Monteiro, Jacinto Possidónio e Tomaz Saraiva. 
Forno de 6 potes. 
Descendentes de uma plêiade de artistas vidreiros, estes gloriosos percursores, marcaram a partir dos fins do século passado até ao alvorecer de 1925, a continuidade de distintos operários vidreiros, de cartola e casaca, que foram intérpretes condignos da fina estirpe que militou no Indústria Vidreira e que constituíram famílias de reputada consideração e de muito respeito.

 

 

in: O PÓ CHEIRA A FLÔRES
(Vultos e Sínteses da História de S. Pedro de Moel e Marinha Grande)
"Edmundo Oliveira Orfão"

 

 

Para Cima...

25 de Abril de 1974  

"E Depois do Adeus", música interpretada por Paulo de Carvalho e emitida, via rádio, no dia 24 de Abril de 1974, às 22h55m, foi a primeira senha que daria a Portugal uma viragem histórica. A canção "Grândola Vila Morena" de José Afonso, emitida no dia 25 de Abril de 1974 às OOh20m foi o sinal confirmativo de que as operações militares estavam em marcha e eram irreversíveis: deu-se a Revolução de Abril.

Foi o fim de 13 anos de Guerra Colonial (1961-1974) e o fim do Estado Novo. Deu-se a libertação de centenas de presos políticos. A Junta de Salvação Nacional assumiu o poder, com o General António de Spínola a comandar. Descolonizar, Democratizar e Desenvolver foram os objectivos do Movimento das Forças Armadas.

Com o 25 de Abril de 1974 morre o regime ditatorial, com 48 anos de idade, e nasce uma linda criança: a Democracia!!! Passámos a pensar livremente e o mais importante: a dizer o que pensávamos!!!!

Esta transição foi vivida com grande entusiasmo, alegria e emoção. No dia 26 de Abril de 1974, as massas populares saíram à rua em todos os pontos do país para apoiar a Junta de Salvação Nacional.

No Jornal da Marinha Grande, de 3 de Maio de 1974, na página n° 1 podia-se ler a seguinte notícia:

« Na passada sexta-feira, dia 26, realizou-se, pelas 15 horas, na Praça Guilherme Stephens, frente ao edifício dos Paços do Concelho, uma grandiosa manifestação de apoio às Forças de Libertação, tendo sido montada na varanda do aludido edifício uma aparelhagem sonora que serviu para alguns oradores usarem da palavra no sentido de pedir ao povo marinhense que se mantivesse calmo e que procurasse com o seu civismo ajudar a obra que irá ser levada a cabo pela Junta de Salvação Nacional, presidida pelo General António de Spínola, obreiro desta grande reviravolta levada a efeito no dia 25 de Abril, o qual passará a ser para todos os portugueses um dia memorável.

A multidão que enchia por completo a Praça frente ao edifício da Câmara, ostentava cartazes com dizeres de Vivas a Portugal, Vivas às Forças Armadas, Vivas à Liberdade e Vivas ao General António de Spínola, entoando ao mesmo tempo o Hino Nacional. Usaram da palavra os Srs. Manuel Baridó, Álvaro Domingues, Francisco de Sousa, Osvaldo Sarmento e Castro, Joaquim Augusto Carreira, Américo Catita e João de Almeida Fernandes, tendo todos apelado para o bom senso das populações, afirmando que se estava a viver um dia inesquecível da nossa História.  

 

condensado de: Imagens do Século XX do Concelho da Marinha Grande
autoria de Patrícia Alexandra Balbino Grilo
edição de Pelouro da Cultura da Câmara Municipal da Marinha Grande
edição integrada no âmbito da exposição intitulada: «100 Anos de Fotografia do Concelho da Marinha Grande»
data de edição - Outubro 2001

 

 Para Cima...

Educação e Ensino 
  • Creche Pereira Crespo

A criação de uma creche na Marinha Grande deveu-se, em primeiro lugar, ao Sr. José Luís Pereira Crespo que deixou à Junta da Paróquia, em testamento com a data de 25 de Novembro de 1907, oito contos de réis para instituir e manter na freguesia uma creche e, em segundo lugar, à Junta da Paróquia que, com grande dedicação, levou a efeito a instalação da creche na antiga casa do clube - Grémio Marinhense - que se encontrava ao abandono há alguns anos e que serviu, várias vezes, de quartel às forças militares que eram enviadas para a Marinha, por ocasião de conflitos entre os operários e as companhias arrendatárias da antiga Fábrica Nacional de Vidros.Creche Pereira Crespo - actual sede da Junta da Freguesia da Marinha Grande

A s obras de reparação iniciaram-se em 1912 e a inauguração deu-se no dia 5 de Outubro de 1913.

Alguns anos mais tarde deixou de funcionar como creche. Neste edifício funcionou também uma escola primária feminina. Actualmente é sede da Junta de Freguesia da Marinha Grande.

 

 

  • Escola Industrial e Comercial

 

Já dissemos anteriormente que Guilherme Stephens se preocupou com a educação dos seus operários, recrutando mestres para lhes ensinarem as primeiras letras, para lhes darem aulas de desenho e de música. O ensino remonta, portanto, a esta altura.

Em 1893 a Sociedade Filomática (sociedade com fins culturais e recreativos, fundada em 1883) propõe a criação de uma escola industrial de desenho que foi, de facto, oficialmente criada, chegando mesmo a nomear-se um director, no entanto, nunca chegou a funcionar.

Em 1899 a escola voltou a ser requerida pelos corpos gerentes da companhia arrendatária da Nacional Fábrica de Vidros; o mesmo sucedeu no dia 25 de Abril de 1912, agora, a pedido do deputado do distrito, Gaudêncio Pires de Campos. Mais uma vez, a criação da escola não se verificou. Só em 1920 foi criada, funcionando até 1923 apenas com uma aula de desenho, dirigida pelo pintor Almeida e Silva, numa dependência da Nacional Fábrica de Vidros.

É com o Engenheiro Calazans Duarte que, em 1925, a escola de vidreiros é transformada em escola industrial de Guilherme Stephens. A inauguração deu-se em 29 de Março de 1925, com a presença dos Ministros do Comércio e Agricultura e do Interior. Dirigiu-a até 1931, seguindo-se-lhe o Engenheiro Francisco António Rodrigues e o pintor Alberto Nery Capucho.

A escola funcionou até 1959 em situação precária, ano em que a Escola Industrial e Comercial passa a dispor de um novo edifício, inaugurado em Junho de 1959. Escola Industrial e Comercial da Marinha Grande - actual Escola Secundária Calazans Duarte (27/07/59)

Hoje funciona neste edifício a Escola Secundária Calazans Duarte.

Em Dezembro desse mesmo ano, o filho do Engenheiro Calazans Duarte foi convidado a proceder ao descerramento da lápide, que se encontra na parede exterior do edifício onde funcionou a primeira escola dos vidreiros, com a seguinte inscrição: «Neste edifício funcionou a Escola Industrial da Marinha Grande, iniciativa da Administrador da Fábrica - Escola Irmãos Stephens, Engenheiro Calazans Duarte, que a dirigiu e nela ensinou por mais de trinta anos»

 

  • Externato Afonso Lopes Vieira

 Externato Afonso Lopes Vieira - Década de 50

No edifício pertencente ao Senhor Godinho, funcionou uma escola privada mista, criada em 1947 com ensino liceal.

Este edifício, já desaparecido, esteve situado onde hoje instalada a caixa Geral de Depósitos.

   

condensado de: Imagens do Século XX do Concelho da Marinha Grande
autoria de Patrícia Alexandra Balbino Grilo
edição de Pelouro da Cultura da Câmara Municipal da Marinha Grande
edição integrada no âmbito da exposição intitulada: «100 Anos de Fotografia do Concelho da Marinha Grande»
data de edição - Outubro 2001
 

Conhecer o   ontem, para melhor compreender o hoje na construção do amanhã.

 Para Cima...

O Pinhal
  • Pinhal do Rei  (até 1910);

  • Pinhal Nacional  (a partir de 1910);

  • Pinhal de Leiria  (actualmente).  

 

O Pinhal de Leiria apresenta hoje uma área de 11.023 hectares, sendo parte dele património do Estado.

Não se sabe ao certo a origem do Pinhal de Leiria. Para alguns autores remonta a meados do século XIII, reinado de D. Sancho II, para outros foi o rei D. Dinis, no primeiro quartel do século XIV, o responsável pelo surgimento do pinhal. Outros ainda atribuem a transporte de lenha (Década de 50) sua origem ao reinado de D. Sancho II, considerando D. Dinis, "O Lavrador", o impulsionador do desenvolvimento do pinhal, atribuindo-lhe a plantação das sementeiras, com o objectivo de, em primeiro lugar, segurar as areias que os ventos arrastavam para as terras, prejudicando a agricultura e, em segundo  lugar, para obter madeira para a construção de barcos com o intuito de desenvolver o comércio marítimo e das pescas. Parece-nos ser esta, a última versão, a mais verosímil.

São várias as lendas acerca do pinhal. Uma delas atribui a sua origem à rainha Santa Isabel, "arremassando ao vento uma arregaçada de penisco".

Não podemos falar da História do concelho da Marinha Grande seCarro de bois no transporte de pinheiros (década de 50)m falar desta "catedral verde e sussurrante" como o poeta e escritor Afonso Lopes Vieira o caracterizou, na medida em que este foi o impulsionador do desenvolvimento industrial, económico e demográfico do concelho.

Até ao século XVIII atraiu e ajudou a fixar a população nas suas imediações, aliás, pensa-se que o primeiro casal que veio para a Marinha Grande, veio com a função de vigiar o pinhal.

Deveu-se ao pinhal a localização da primeira fábrica de vidros, pelo facto de a lenha, naquela época, constituir o principal e único combustível para alimentar os fornos das fábricas. A madeira retirada do pinhal permitiu, ainda, a construção de embarcações, remos, varas, palheiros e a criação de várias profissões: serradores, resineiros, couteiros, carreiros, etc.

Até 1910 o pinhal denominou-se de "Pinhal do Rei". A partir de 1910 "Pinhal Nacional" e, actualmente, é designado de "Pinhal de Leiria".

As árvores predominantes do pinhal são o pinheiro bravo e manso. São característicos desta zona o conhecido pinheiro "serpente".

O pinhal começa "junto à foz do rio Liz e estende-se pela faixa litoral, para sul, até Água de Madeiros, daí em direcção ao interior até à Guarda da Lagoa Cova; depois quase em linha recta, para Norte, até Vieira de Leiria; por fim, segue o rio Liz até à sua foz."

António Arala Pinto chamou-o de "o maior e mais antigo monumento vivo de Portugal".

 

condensado de: Imagens do Século XX do Concelho da Marinha Grande
autoria de Patrícia Alexandra Balbino Grilo
edição de Pelouro da Cultura da Câmara Municipal da Marinha Grande
edição integrada no âmbito da exposição intitulada: «100 Anos de Fotografia do Concelho da Marinha Grande»
data de edição - Outubro 2001
  Colectividades Desportivas, Culturais e Recreativas

 

  • Atlético Clube Marinhense ( A.C.M.)

 

Fundado a 1 de Janeiro de 1923, o A.C.M. teve como principal objectivo a divulgação do futebol. No entanto, a pesca desportiva, o tiro aos pratos, o tiro aos pombos, o ténis, a natação, o basquetebol, o voleibol, o ténis de mesa, o atletismo, o ciclismo e a columbofilia foram outras actividades praticadas por esta associação desportiva.

As cores do clube são a camisola com riscas pretas e brancas ao alto e calção preto.

A primeira sede funcionou no salão da cavalariça de Jacinto de Abreu, passando pela Rua Alexandre Herculano, Rua Joaquim Carvalho de Oliveira, Rua Marquês de Pombal, Rua Pedro Viana e, actualmente, funciona no Largo do Albuquerque.

O primeiro campo foi construído no Pinhal da Feira e inaugurado em 1 de Maio de 1923. Anos mais tarde construiu-se o campo da Portela que ainda hoje existe.

 

  • Sport Lisboa e Marinha ( S.L.M.)

 

O S.L.M. foi fundado em 1 de Janeiro de 1939 e é uma colectividade de carácter essencialmente desportivo, dedicando-se exclusivamente à actividade futebolística.

As cores que constituem o clube são a camisola vermelha e o calção branco.

Teve como primeira sede social um prédio situado na Rua de São Pedro de Moel, passando, de seguida, para um prédio na Rua Pedro Viana e actualmente funciona no "Campo da Ordem", inaugurado no dia 3 de Maio de 1939.

Apesar do futebol ser a prática privilegiada, o S.L.M. dedicou-se, nos seus inícios, a modalidades como o atletismo, ciclismo, ténis de mesa, voleibol, basquetebol, possuindo ainda uma escola de patinagem.

 

  • Industrial Desportivo Vieirense ( I.D.V.)

  

O Industrial Desportivo Vieirense foi fundado em 22 de Dezembro de 1946. A sede funcionou até à bem pouco tempo no antigo salão "Os Futuristas". Actualmente tem sede no campo Albano Tomé Féteira.

Até 1966 o campo usado para os jogos de futebol era o campo do Ribeiro da Tábua.

No dia 2 de Julho de 1967 é inaugurado o campo que hoje conhecemos.

Em 1968 o I.D.V. disputou em Leiria com o Sporting Clube das Caldas, no final da Taça Sampaio Ramos. Venceram pela diferença de pontapés de canto.

Em 1970 a equipa de Juniores do I.D.V. já pontapeava no novo campo.

 

 

  • Sport Operário Marinhense ( S.O.M.) 

 

O S.O.M. foi fundado em 31 de Janeiro de 1923. Instalou-se primeiramente num dos prédios dos Matos, situado na actual Avenida 1° de Maio. Por volta de meados da década de 30 passa para a Rua Pereira Crespo, porém, pouco tempo depois muda-se para a Rua Alexandre Herculano.

Actualmente funciona na Rua 25 de Abril, nas antigas instalações da Sociedade Produtora de Vidraça Prensada, também conhecida por "Fábrica das Bengalas".

Se nos primeiros tempos a colectividade tinha como objectivo a prática desportiva, nomeadamente o futebol, chegando mesmo a possuir um campo , o "campo da Biquinha", a partir da década de 30 passa a dedicar-se apenas aos desportos de salão, tais como: bilhar, xadrez e ténis de mesa.

Além de actividades desportivas, também fizeram parte desta colectividade actividades de âmbito cultural e recreativo. Assim nasceu o grupo dramático que representou várias peças de teatro, a título de exemplo, "Os Jograis da Ordem" ou "Saber ou Sorte", cuja encenação esteve a cargo de Zeferino André.

 

  • Biblioteca de Instrução Popular de Vieira de Leiria  (B.I.P.) 

 

A Biblioteca de Instrução Popular de Vieira de Leiria foi fundada em 1 de Dezembro de 1932.

A primeira sede funcionou perto do Largo da República até 1934. De 1934 a 1940 passa a funcionar na Rua Pires de Campos. Em 1940 instala-se no actual edificio, apenas com rés-do-chão.

João Gouveia Pedrosa, que foi um dos principais impulsionadores da criação da B.I.P., proferiu uma conferência na altura do 15° aniversário da colectividade, onde realçou a extrema necessidade de combater o analfabetismo.

No dia 1 de Dezembro de 1962, o Governador Civil de Leiria, Olímpio Duarte Alves, assiste ao lançamento da primeira pedra para a construção do primeiro andar.

Desde que esta colectividade se constituiu nunca deixou de promover actividades culturais e recreativas: bailes, teatro, exposições são apenas alguns exemplos. Recordar-se-ão, os mais velhos, desta peça de teatro realizada no Carnaval de 1972?

No 66° aniversário foi descerrada uma lápide na primeira sede da B.I.P., com a seguinte inscrição:   «Com o lema "Instruir é construir". Nasceu neste local a 1 de Dezembro de 1932 a Biblioteca de Instrução Popular. Homenagem aos seus fundadores. ».

 

  • Sociedade de Beneficência e Recreio 1º de Janeiro - Ordem 

 

No dia 1 de Janeiro de 1939 foi fundada a Sociedade de Beneficência e Recreio 1° de Janeiro, na Ordem.

A primeira sede funcionou, se bem que a título provisório, na casa de Maria Lucas, na Rua Júlio Esperança Brito.

No dia 11 de Agosto é inaugurada a sede que hoje conhecemos, com a actuação da Troup Jazz "Os Fixes".

A colectividade dedicou-se, desde o início, a práticas desportivas e culturais. No campo da cultura é de destacar o teatro e o grupo cénico que teve como produtor, ensaiador e encenador Zeferino André.

 

 

  • Sporting Clube Marinhense (S.C.M.) - Embra

 

O S.C.M. foi fundado em 29 de Janeiro de 1939, no lugar da Embra.

Funcionou primeiramente em casa alugada à família Grácio. Em Maio de 1944 é inaugurada uma nova sede. Nos primeiros anos dedicou-se aos desportos de salão. No dia 7 de Junho de 1958 com a inauguração de um ringue de patinagem, passa a praticar o basquetebol e o andebol e, mais tarde, hóquei em patins.

As cores da equipa são a camisola branca com tarjas verdes horizontais e calção preto.

Em 28 de Dezembro de 1966 é inaugurado o actual pavilhão gimnodesportivo.

Relativamente ao campo cultural, este também não deve ser descurado. Dedicaram-se ao teatro e realizaram várias palestras e colóquios de âmbito cultural e desportivo.

 

 Para Cima...

 

  • Clube Desportivo de Casal Galego

 

O Clube Desportivo de Casal Galego iniciou o seu percurso em 19 de Março de 1941.

Instalou-se numa casa alugada, na Rua 37, tendo inaugurado uma nova sede em 30 de Maio de 1954, que, anos mais tarde, foi substituída pelo actual pavilhão.

Todos os anos é comemorado o aniversário do clube com um grandioso baile.

De alguns anos para cá e conjuntamente com a Câmara Municipal da Marinha Grande, realiza-se a Feira de Artesanato e Gastronomia, que tanto sucesso tem alcançado junto da população local e mesmo nacional.

Além da prática desportiva como a ginástica, desportos de salão, corrida de bicicletas "Voltas a Casal Galego", o clube também se tem dedicado ao teatro e inclusivamente ao teatro infantil.

 

 

  • Salão "Os Futuristas"

 

O Salão "Os Futuristas" esteve situado no local onde até há bem pouco tempo funcionou a sede do Industrial Desportivo Vieirense.

Este salão foi palco de vários eventos culturais. Realizaram-se bailes, convívios e revistas. De destacar a revista "Contra a maré", realizada em 1955, escrita e musicada por João, Aurélio e Adelino Gouveia Pedrosa, obtendo grande êxito junto da população vieirense.

 

  • Associação Cultural e Recreativa da Comeira

 

Grupo desportivo da Comeira era como esta colectividade era conhecida em 1963, ano da sua fundação.

A sede está situada no centro da Comeira, possuindo um campo de futebol e um recinto para festas.

A modalidade inicialmente praticada era o futebol.

Em Junho de 1971 legaliza-se passando a designar-se Associação Cultural e Recreativa da Comeira. 

Além do futebol, dedica-se a jogos de salão e ao chinquilho.

As cores do clube são: camisola azul e calção branco.

No campo cultural e recreativo, em 1952, foi constituído o Rancho Infantil "Os Corações".

 


condensado de: Imagens do Século XX do Concelho da Marinha Grande
autoria de Patrícia Alexandra Balbino Grilo
edição de Pelouro da Cultura da Câmara Municipal da Marinha Grande
edição integrada no âmbito da exposição intitulada: «100 Anos de Fotografia do Concelho da Marinha Grande»
data de edição - Outubro 2001
 
 
Origens, Localização Geográfica e Evolução
A ausência quase absoluta de documentos antigos que possam determinar, com algum rigor, as origens e fundação desta Cidade (hoje a mais importante do Distrito de Leiria), embora procurados avidamente nas fontes usuais não nos permite, garantir com precisão, nem o ano em que nasceu nem a sua origem.
Há, no entanto alguns documentos que nos falam da antiga povoação da Marinha:- «Memórias e Notícias» publicado pelo Museu Mineralógico e Geológico da Universidade de Coimbra, da autoria do ilustre marinhense Doutor José Custódio de Morais, que, baseando-se, como diz, em escritos históricos, como: Arqueológico Português, Alcobaça Ilustrada, Portugal Antigo e Moderno, O Jornal Autonomia, Memórias Económicas da Academia Real das Ciências, etc., etc., nos sugerem sob grande reserva, ter a Marinha Grande nascido entre os séculos XI e XII, fundada por alguns colonizadores que aqui se instalaram para extrair sal das marinhas existentes na região, formada por água do mar trazida pelas marés altas, através dos riachos afluentes do Rio Liz que, como dizia o historiador Tito de Sousa Larcher, era então bastante caudaloso e navegável até às portas da cidade de Leiria.
A avalizar esta hipótese está o facto confirmado de existirem na região várias povoações, longe do mar com o nome de Marinhas, como: Marinha João da Rua, Marinha do Engenho, Marinha das Ondas, Marinha de Baixo e as lagunas da Garcia, Coucinheira, Escoura, e mais dessas pequenas povoações próximas uma da outra, também conhecidas por Marinha.

Uma das quais teria sido, por razões desconhecidas, mas que se admite por nela existirem já as «manchas de arvoredo de Pinhal Manso», referidas pelo Professor Eng. Carlos Manuel C. Baeta Neves, tivesse sido escolhida para aí se instalarem  os primeiros colonos - povoadores (lavradores, carreiros, lenhadores, serradores, etc.) recrutados pelo Rei D. Dinis, a quem mandou distribuir terras e dar madeira para construírem os cómodos.

Foram esses colonos, gente rude mas trabalhadora, que desenvolveu a pequena aldeia, até então conhecida por Marinha.

Toponimicamente a pequena aldeia à medida que se desenvolvia ia também mudando de nome:

Assim, no ano de 1590, por ter sido erigida a primeira capela, passou a denominar-se Santa Maria da Marinha; mais tarde, em 1600, por ter sido erigida em Freguesia pelo então Bispo de Leiria, D. Pedro de Castilho, passou a usar o nome de Nossa Senhora do Rosário da Marinha; ainda mais tarde no ano de 1750 o ministro Marquês de Pombal, para não se confundirem entre si essas duas povoações, acaba com o nome de Marinha, ordenou que passasse para os nomes de Marinha Grande (a mais próxima do mar e Marinha Pequena (a mais longe).


Situação Geográfica e População

A Marinha Grande está situada no limite norte da província da Estremadura, mais ou menos no centro do Distrito de Leiria, a 10 Km do mar, a 147 Km de Lisboa e a 196 Km do Porto.

Está implantada numa extensa planície de chão arenoso e saibrento rodeado por imensas matas de pinheiros entre as quais se encontra o majestoso Pinhal de Leiria, antigamente conhecido por Pinhal do Rei.

O concelho, que tem uma área aproximada de 18.700 hectares e é coberto em cerca de dois terços por esse imenso pinhal, tem duas freguesias: Marinha Grande e Vieira de Leiria.(nota: e mais recentemente Moita )

Tem uma população residente de 40.000 habitantes, mas na sua poderosa indústria empregam-se, também milhares de pessoas residentes nas freguesias limítrofes, Moita do Oeste, Maceira - Liz, Barosa, Leiria, etc., que aqui labutam diariamente.

A evolução demográfica da população tem sido, desde os primeiros tempos a de maior índice migratório de todo o Distrito, suplantando mesmo a da cidade de Leiria.

Para se avaliar o que tem sido o aumento populacional da Cidade, damos a seguir um quadro em que se mostra essa evolução.

 

  ANO 

     HABITANTES  

       NOTAS

 

1527 

80   Habitantes

 

 

1712 

550   Habitantes

 

 

1758 

1.100  Habitantes

  (Neste ano montou-se a primeira fábrica de vidros) 

 

1769 

2.120  Habitantes

  (Neste ano veio o inglês Guilherme Stephens restaurar a indústria vidreira) 

 

1812 

1.068  Habitantes

  (Devido às invasões francesas, daqui fugiu muita gente) 

 

1878 

3.921   Habitantes

 

 

1900 

5.566   Habitantes

 

 

1911 

6.896   Habitantes

 

 

1920 

7.035  Habitantes

 

 

1930 

8.601  Habitantes

 

 

1940 

10.369 Habitantes

 

 

1950 

12.963 Habitantes

 

 

1960 

15.699 Habitantes

 

 

1970 

18.695 Habitantes

 

 

1971 

25.783 Habitantes

 

 

1980 

31.284 Habitantes

 

 

1990 

40.000  Habitantes

 

 

1997 

????  Habitantes

 

 
Jurisdição Política - Administrativa

A Jurisdição Política - Administrativa dos terrenos e das povoações que formam hoje o Concelho da Marinha Grande, depois de conquistados aos mouros, em 1142 por D. Afonso Henriques, foi exercido em princípio pelos padres Cruzios do Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, a quem D. Afonso Henriques, para remissão dos seus pecados, doara em testamento, juntamente com o Castelo e a própria cidade. Todos os terrenos que compunham as terras quase desertas (vastos areais) que hoje pertencem aos concelhos de Leiria, Marinha Grande, Porto de Mós e grande parte dos de Alcobaça, Vila Nova de Ourém (hoje Ourém) e Pombal.

Essa jurisdição dos Padres Cruzios exerceu-se até ao ano de 1309 que, por ordem do Rei D. Dinis, passou para o poder da Casa Real para, com os seus rendimentos poder suprir as despesas feitas com o enxugo dos Campos de Ulmar (hoje conhecidos por Campos do Lis).

Em 1510, ano em que o Rei D. Manuel I mandou demarcar o concelho de Leiria de quem fazia parte a povoação de Marinha Grande, a região teve vários senhorios entre os quais: D. Teresa, filha de D. Afonso Henriques, D. Afonso, sobrinho de D. Dinis, a Rainha Santa Isabel, mulher de D. Dinis que lhe ofereceu todas estas terras em 4 de Julho de 1300 como retribuição dos favores por ela prestados nos desacordos com seu irmão D. Afonso, D. Leonor Teles, Conde D. Gonçalo, até que D. João I já Rei de Portugal, revogou essas doações com o privilégio de jamais saírem da propriedade Real.

Essa vontade do monarca não foi cumprida e mais tarde, em 1475, o seu neto, o Rei D. Afonso V, concedeu a seu primo D. Pedro de Meneses, Conde de Vila Real e mais tarde Marquês do mesmo nome, grandes regalias na região como: a Alcaidaria de Leiria, a oferta do Palácio que tinha sido residência de D. Dinis em Leiria, a renda de 19.000 coroas de vários direitos, foros e tributos da Coroa, todos os direitos sobre as rendas do pez do Pinhal de Leiria e ainda a concessão de possuir em exclusivo em S. Pedro de Moel, vários barcos para o comércio marítimo.

Com a morte do último Marquês de Vila Real, em 28 de Agosto de 1641, em condições trágicas, referente a S. Pedro de Moel, e à formação da primeira Junta Paroquial da Freguesia da Marinha Grande, em 1600, a Jurisdição Política - Administrativa foi passando sucessivamente para o Bispado de Leiria, para a Câmara Municipal de Leiria e em 26 de Março de 1917 para a Câmara Municipal de Marinha Grande.
 
Formação da Junta de Freguesia

Com a criação do Bispado de Leiria em 28 de Maio de 1545 a igreja passou a ter grande influência na vida das populações através das Juntas de Freguesia que de um modo geral eram presididas pelos párocos.

A Marinha Grande e as povoações em redor que até ao ano de 1600 pertenceu à Freguesia de S. Tiago do Arrabalde da Ponte, de Leiria, onde o povo tinha que se deslocar a pé, por maus caminhos e atravessar o rio Liz em barcos (nesse tempo ainda não existiam pontes) quando queriam ouvir missa, registar os nascimentos e óbitos ou tratar dos éditos para os casamentos, etc..

Para ultrapassarem essa situação os moradores da Marinha Grande e da Garcia pediram, em 1590, ao Bispo de Castilho que autorizasse dizer-se missa numa pequena Ermida erigida no centro da Marinha Grande (sítio onde está hoje a Igreja Paroquial) de invocação a N. Sra. do Rosário.

Em 1600 o mesmo Bispo criou a freguesia da Marinha Grande debaixo da mesma invocação do Rosário, desmembrando-a da antiga freguesia de S. Tiago do Arrabalde da Ponte, de Leiria.

Todos os habitantes da Marinha Grande, Garcia e outras povoações próximas, eram fregueses.

A nova freguesia, de cujo primeiro pároco não se consegue saber o nome, desenvolveu-se rapidamente.

Foi tal esse desenvolvimento trazido não só pelos muitos trabalhadores necessários para a expansão do Pinhal, como para a implantação da Real Fábrica de Vidros da Marinha Grande, ordenada pelo grande Ministro Marquês de Pombal, que para isso mandou vir o genial Guilherme Stephens, que em 1810 tinha já cerca de 2120 habitantes e era já a terra mais populosa de todo o Distrito.

Em face desse desenvolvimento o alemão Frederico Luiz Guilherme Varnambur que havia sido nomeado Administrador Geral das Matas e Pinhais do Reino, levou ao conhecimento da Rainha D. Maria II da grandeza da freguesia da Marinha Grande, aproveitando também por lhe fazer sentir que por esse facto e pelas perspectivas do seu  futuro desenvolvimento havia grande necessidade de a elevar à categoria de Concelho.

O despacho favorável não se fez esperar e em 6 de Novembro de 1836, terminadas que estavam as lutas liberais conhecidas por Revolução Setembrista, Revolta dos Marechais e a Revolução da Maria da Fonte, foi publicado no Diário do Governo nº.283 o despacho que formava o novo Concelho da Marinha Grande de que faziam parte as seguintes freguesias: Marinha Grande, Vieira de Leiria, Carnide, Monte Real, Maceira e o lugar da Moita, que seria desanexado da freguesia de Pataias.

Por razões desconhecidas a Comissão Instaladora do novo concelho não foi imediatamente nomeada (julga-se que por o novo Governador Civil, Cassiano Tavares Cabral ter sido empossado muito mais tarde).

Entretanto iniciaram-se em Lisboa os estudos da «Novíssima Reforma Judiciária» e o novo Código Administrativo, publicados respectivamente em 1841 e 1842.

Talvez por se terem iniciado esses estudos ( não se conseguiu apurar as razões disso) saiu um novo decreto o nº. 93, de 17 de Abril de 1838 que revogava o despacho de 6 de Novembro de 1836 e eliminava o novo concelho da Marinha Grande, acrescentando mais: « O conselho da Marinha Grande no Distrito Administrativo de Leiria, será eliminado e as suas freguesias anexadas ao concelho de Leiria».

A partir daí o povo da Marinha Grande, desgostoso pela resolução Real, iniciou grande campanha a favor da restauração do concelho.

Entre as variadas campanhas e lutas, salienta-se a fundação do jornal « Autonomia », em 13 de Outubro de 1899, por parte do grande político e grande bairrista marinhense, que através deste, procurou nele fazer a defesa dos interesses da Marinha Grande e, reforçar a luta pela restauração.
 
 
Restauração do Concelho

Finalmente, em Janeiro de 1917, por proposta do deputado Magalhães Godinho foi aprovado no Congresso da República a restaurar do velho concelho.
Assim, no Diário do Governo de 20 de Janeiro de 1917, I Série nº . 11, vinha publicada a Lei nº. 644, do seguinte teor:

Em nome da Nação, o Congresso da República decreta e eu promulgo, a Lei seguinte:
      Artigo 1º. - É restaurado o antigo Concelho da Marinha Grande, com sede naquela Vila, e constituído por esta freguesia e pela de Vieira, que, portanto fica desanexada do concelho de Leiria.
      Artigo 2º. - Dos encargos que a Câmara Municipal de Leiria tem para a Companhia Geral de Crédito Predial Português e Caixa Geral de Depósitos e Instituições de Previdência, fica a cargo do vosso Concelho da Marinha Grande uma parte proporcional ao rendimento colectável da paróquia desanexada.
      Artigo 3º. - Cessem desde já as funções dos cidadãos das duas paróquias que pertençam à Câmara Municipal ou Junta Geral de Leiria, e o Governo, pelo Ministério do Interior, designará o dia para, nos dois referidos concelhos se proceder à eleição da Câmara Municipal e Procurador à Junta Geral.
      Artigo 4º. - Fica revogada a legislação em contrário. Os ministros do Interior e das Finanças a façam imprimir, publicar e correr.
      Paços do Governo da República, 25 de Janeiro de 1917.
      Bernardino Machado - Braz Mousinho de Albuquerque - Afonso Costa
.



Em 16 de Fevereiro de 1917, o Governador Civil de Leiria Dr. João Salema de Sousa Abreu Gouveia e Faria de Carvalho Pereira, nomeou a Comissão Instaladora, composta por:

José dos Santos Barosa (Presidente), José Simplício de Sousa Virgolino, Joaquim Matias Sobrinho, Ilídio Duarte de Carvalho e Joaquim Gouveia Pedrosa (vogais).

No dia 26 de Março de 1917, iniciaram-se os festejos comemorativos da restauração do concelho, com a vinda de altas individualidades distritais e do Governo Central.

Falou em primeiro lugar o Presidente da Comissão Instaladora, José dos Santos Barosa, que cumprimentou as autoridades e o povo presentes e informou que já estava eleita a Comissão constituída para formar o novo Senado e a nova Câmara, composta por: António Matias (Presidente), Joaquim dos Santos Barosa, Joaquim Morais Matias, João de Magalhães Júnior José Simplício de Sousa Virgolino, Joaquim Augusto Ferreira de Morais, Dâmaso Luiz dos Santos, Joaquim Gouveia Pedrosa, Alfredo Luiz Féteira, Deonísio da Mota, Guilherme Pereira Roldão e José Frasco Júnior.

Esta Comissão designou os membros do novo Senado e da nova Câmara, indicando os respectivos Presidentes que foram empossados em 8 de Outubro de 1917.

Senado Municipal - António Matias.

Câmara Municipal - José Simplício S. Virgolino.

A partir daí vários foram os Presidentes que passaram pela edilidade Municipal da Marinha Grande.
 
 
Elevação a Cidade

O dia 11 de Março de 1988 passará a ser considerado um dia histórico para a Marinha Grande, pois neste dia a Assembleia da República aprovou por Decreto-Lei a sua elevação à categoria de cidade.

Este Projecto-Lei foi da autoria do deputado socialista pelo círculo eleitoral de Leiria, Rui Vieira.

Mais que um título trata-se de uma homenagem e de um reconhecimento a uma terra onde o crescimento económico e as lutas pela democracia e liberdade têm marcado pontos na História de uma comunidade onde o sector industrial vê as suas unidades multiplicarem-se e encontrarem novas áreas de desenvolvimento.

Se de um concelho com duas freguesias (Marinha Grande e Vieira de Leiria), outras tantas praias conhecidas internacionalmente, uma mancha florestal de grande valor, constituída pelo Pinhal do Rei, e dois sectores industriais muito fortes: vidros e moldes a Marinha Grande é uma terra que tem sabido vencer muitas adversidades.

Renascer da crise tem sido uma constante desta terra, distribuída ao longo de 187 Kms2 e com uma população de cerca de 4? mil habitantes.
Que o justo título de Cidade consiga arrastar dias melhores será, sem dúvida, o grande desejo da população marinhense.

 
 
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